3 de abr. de 2007

POR TODA UMA VIDA...

Eu vi nos olhos deles
A espera
A resignação
E a consciência

Que não há nada mais para se perder
Que a vida se finda a cada final do dia

A alegria de estar junto
Reviver
Os anos
Bem vividos

Em silêncio, cruzam os olhares
Na velhice e no amor que os une

Já pedi, já rezei, já implorei
A todos
Os santos
Que eles possam ficar

Para ainda embalar os meus sonhos
Eternamente em minha vida

Por que
É deles
A minha
história vivida

E o meu maior sofrer é não saber
Escrever o ponto final de todas as nossas histórias


autoria:anacarolinacaldas
Dedicada para as duas pessoas que eu mais amo nesse mundo...

“De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp’ro, não fantasêia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei deste gosto, de especular idéia. O diabo existe e não existe? Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso...”

João Guimarães Rosa
Grande Sertão: Veredas



Enviado por Glauber Piva ... que de vez em quando "especula" idéias comigo

25 de mar. de 2007

Um Tempo Que Passou

Vou
Uma vez mais
Correr atrás
De todo o meu tempo perdido
Quem sabe, está guardado
Num relógio escondido por quem
Nem avalia o tempo que tem

Ou
Alguém o achou
Examinou
Julgou um tempo sem sentido
Quem sabe, foi usado
E está arrependido o ladrão
Que andou vivendo com o meu quinhão
Ou dorme num arquivo
Um pedaço de vida, vida
A vida que eu não gozei
Eu não respirei
Eu não existia
Mas eu estava vivo
Vivo, vivo
O tempo escorreu
O tempo era meu
E apenas queria
Haver de volta
Cada minuto que passou sem mim

Sim
Encontro enfim
Iguais a mim
Outras pessoas aturdidas
Descubro que são muitas
As horas dessas vidas que estão
Talvez postas em leilão

São
Mais de um milhão
Uma legião
Um carrilhão de horas vivas
Quem sabe, dobram juntas
As dores coletivas, quiçá
No canto mais pungente que há

Ou dançam numa torre
As nossas sobrevidas
Vidas, vidas
A se encantar
A se combinar
Em vidas futuras
E vão tomando porres
Porres, porres
Morrem de rir
Mas morrem de rir
Naquelas alturas
Pois sabem que não volta jamais
Um tempo que passou

Chico Buarque
Composição: Indisponível



...essa música me faz lembrar de todas as esperanças que tive desde que me conheço por gente fazendo parte das lutas da vida. Me faz lembrar que eu tinha mais forte meus ideais, minhas lutas e desejo por um mundo em transformação. Lembro do tempo sim que eu aprendi lá em casa e com os meus amigos a torcer que muitos milhões de votos fossem depositados à opção "mais revolucionária." Tempo em que eu chorava e me emocionava mais quando sentia que alguma coisa podia de verdade mudar... Tempo que eu me emocionava mais com as músicas do CHICO....Tempo que não volta mais. O que me resta é ter esperanças que aqui dentro de mim surja um novo tempo.
anacarolinacaldas



Perdi

...a batalha entre eu e todos os meus temores, inseguranças e surtos que me assombram e insistem em invadir os meus dias e desconcertar os meus passos.

...as esperanças de poder voltar atrás e fazer tudo diferente, sem errar, com a dignidade que sempre imaginei pra mim.

...pro meu destempero e a maldita intensidade a tudo e a todos a quem devoto amor, afeto, carinho e sem perceber me atropelei e me perdi....

De você.


autoria: Ana Carolina Caldas

4 de nov. de 2006

POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.



Clarice Lispector
in "Para não esquecer" - 5ª ed. - Siciliano - São Paulo, 1992

31 de out. de 2006

Antes que o dia amanheça


“Com o corpo coberto de cicatrizes,
portando estrelas no peito,
nos olhos a invencível vocação de mar,
nós, os primitivos
voltamos
e somos milhões.”


Pedro Tierra


Antes que amanheça, saibamos do dia que encerramos.

Nascido das trevas, o dia findo carregou a marca da ansiedade e ofereceu-nos caminhos confusos, ora escuros, ora alegres; ora penhascos, ora planícies, ora planalto.

Construído com a massa da qual são feitas as utopias, este dia trouxe em seu ventre o sangue dos que lutaram contra as ditaduras, o suor dos que resignificaram o trabalho e os sonhos dos que reinventaram o Brasil. Neste dia que tanto demorou para nascer e agora já está terminado, o povo saiu da platéia e invadiu o palco.

A pobreza diminuiu, a fome diminuiu, o desemprego diminuiu. Neste dia, o Brasil e a América Latina se reencontraram e o mundo descobriu novos atores. Neste dia, negros e pobres, mulheres e homens, jovens e velhos acenderam o seu candeeiro e não deixaram a noite obscurecer o país.

Antes que o dia amanheça, lembremos da noite que vivemos.

Não podemos inaugurar o amanhã se não tratarmos as dores da noite. Vivemos tempos de ardor e descobertas e chegou a hora de reconhecê-las.
Aos que pensaram que diálogos encerram lutas e aniquilam diferenças, esta noite sepultou as ilusões: se somos plurais e diversos, somos também diferentes, somos um povo nascido das opressões, forjado nos mais duros embates e esta noite nos banhou com a mais antiga de todas as lutas.

Antes do amanhecer, identifiquemos nossos erros e purguemos nossas culpas, mas também olhemos nos olhos de nossos algozes e não nos esqueçamos de seus falsos moralismos, de suas condenações vazias desenhadas em manchetes e de seu autoritarismo que tentou nos impor o silêncio e a submissão.

Nesta longa noite, nossas dores doeram mais forte, mas também nos fortaleceram para o longo dia que chegou.

Antes que o dia amanheça, olhemos o horizonte, pois ele guarda o sol que iluminará as nossas lutas.

Aos que esperam por descanso, o novo dia não oferecerá cama macia, mas caminhos pedregosos. Aos que carregam armas, o novo dia não permitirá intolerância, mas exigirá inteligência. Aos que aspiram por consenso, a manhã nos propõe argumento e nos lembra que é tempo de sedução e dissenso.
Neste dia, com as frestas reveladas pelo sol, caberá às forças populares organizarem o seu projeto e articularem suas energias. Nossa comunicação tem de ser mais eficiente e nossas vozes mais audíveis. Na manhã que se anuncia, a esquerda deve se saber esquerda, os democratas se fazer republicanos e o povo não sair do palco.

O dia será longo, as lutas serão duras e outra noite poderá vir. Evitá-la é tarefa de milhões. Que tenhamos aprendido com a crueza da noite!


Glauber Piva é Secretário Nacional de Cultura do PT

Ps: (agora Glauber...vc podia continuar escrevendo por aqui...)

4 de out. de 2006

Poesia de Ivan Ivanovick

Mas, se fosse longe.
Mais, bem mais longe.
Sempre há um jeito de ser pior

É, mas desse jeito,
a gente se acostuma primeiro depois pensa.
Assim evita um pouco o desespero

Além do mais,
todo lugar tem estrelas
(parece até que são as mesmas)


A gente se encontra.



A poesia continua, Ivan!

1 de out. de 2006

Vou pedir licença para os tempos das poesias e expressar meu sentimento de indignação com a imprensa brasileira que nos trata como se todos fossemos medíocres e ignorantes, como se não mercessemos ao mínimo cobertura "um pouquinho imparcial"...Chega deste 4° poder!!!!!!!


Leiam texto do Prof° Toni :

A mídia venceu: vou votar no Lula!

Depois de abrir o UOL, antevendo a manchete da Folha de S.Paulo para amanhã, resolvi: vou votar!Não suporto a idéia de ser obrigado a fazê-lo, essa lei é anacrônica e estúpida, mas pior é ver a eleição sendo decidida pelo golpismo da imprensa!Não consigo deixar de pensar em 1989, quando a Globo fazia o serviço sujo, secundada por órgãos da imprensa escrita.Claro que este Lula e este PT não se parecem nadinha com o de 1989. Já a mídia...Penso que meu voto não refrescará em nada, mas não contribuirei com esses tontos e menos ainda com a hipótese de ver o Brasil governando pela OPUS DEI.Entristecido, emputecido, torcendo o nariz, vou à seção eleitoral amanhã para cravar o 13, espero que pela última vez


http://proftoni.blogspot.com/

28 de set. de 2006


" Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros."
Che Guevara

14 de set. de 2006

A tal loucura


Pode a razão arriscar-se na loucura por vontade própria?
De que vale a razão do homem senão para o outro?
No silêncio
a individualidade cala as loucuras mais prazerosas
que faz do homem SER.
A realidade dos outros são os outros. A minha,
é a verdade encontrada no estranho.
Já percebi que o louco não teme.
Vou, então, nela, na loucura,
encontrar meu absurdo.
Destarte, faço amor
com meus insanos puros.
Porque o louco
pode tudo perder,
menos a razão.

Élisson