13 de ago. de 2008

saudade do futuro


Saudade chega assim numa tarde de domingo
Estirada num colchão na varanda
Vendo símbolos nas nuvens que cortam esse céu azulado
Chega no cheiro de uma rosa
E uma lembrança gostosa
E quase consigo ouvir os sons das suas vozes
E ao fechar os olhos estou em um outro lugar
Com a calmaria tão parecida com essa
E a saudade já não é do passado
É do futuro que nunca existirá
A não ser nessa imagem criada
Artificialmente por uma mente saudosa
E ouço uma gargalhada de criança
E vejo um moleque fazendo arte ao lado do seu pai
E uma menininha tentando pegar o próprio pé ao lado da sua mãe
E uma avó feliz ao lado dos seus
E um avô compenetrado em aproveitar mais um instante
E sobram duas filhas contando causos
E um genro perdido na loucura
Que um dia chamamos de família
E não somos apenas seis
Sentados numa varanda
E as meninas já são mulheres e mães
E o menino já é pai
E os pais viraram avós
E cada um está num canto
Na sua própria varanda
Ou em nem isso
Vivendo de saudade
Da saudade de um futuro inatingível


autoria:angelicamaria www.nadamaisdomesmo.blogspot.com

9 de ago. de 2008


Os Filhos: Um presente de Deus

Quando a Andréa nasceu, eu chorei. Chorei de alegria ao ver aquela polaquinha com alguns fios de cabelo loiro e cara bolachuda e vermelha. Chorei, porque ela nasceu perfeita, como perfeita é até hoje. Foram 8 meses de tensão, isto porque a Lourdinha tinha se submetido a uma radiografia, quando estava grávida de um mês, mas não sabia. Ouvimos alguns "palpites furados", mas tudo acabou maravilhosamente bem. Até me esqueci que nós tinhamos certeza que seria menino, e veio uma menina linda. Naquele tempo, só se descobria o sexo depois do nascimento. Aliás, foi nessa hora que eu descubri que para os pais, filhos não tem sexo. São apenas filhos. Depois veio o Alexandre, crespinho, forte, bonito, de pernas grossas e curtas. Depois Ana, com seus olhinhos cor do céu e um semblante tranquilo trazendo paz. E por último, Andressa, morena, cabelos pretos, sombrancelhas grossas, uma mistura de cigana com índia brasileira. Quatro presentes do criador pra mim e pra Lourdinha. Como foi e está sendo bom ter voces como filhos. Todos se destacam nas suas respectivas funções. Todos com seus diplomas universitários, sem nunca termos exigido que vocês estudassem. Como foi bom ver e participar da caminhada de vocês. Do berço até a Universidade. Como é bom observar a retidão de caráter de vocês quatro. Continuem assim. Viver uma vida toda sem ter que baixar a cabeça pra ninguém. Viver uma vida toda sem levar desaforo pra casa. Viver uma vida toda sem ter que se humilhar, isto nem todo o ouro do Mundo paga.

Filhos. Eu adoro vocês.

Mensagem do Pai.
autoria: meu pai - Dia dos Pais/2008

3 de ago. de 2008

O que será


Dilúvio, tempestade, maremoto
Movimento só dentro
Anuncia mudança
Com medo e esperança
Eu espero

Só eu sei
Que isso vem
Só não sei
Se é pro bem

Ninguém mais
Sabe
Só eu sei
Sozinha me preparo
Pra isso que eu nem sei
O que é
Só sei
Que vem...



autoria:anacarolinacaldas

28 de jul. de 2008

Metade é e metade não é

Hoje olhei para ele
e me vi um pouco nele
Fomos cúmplices
de nós mesmos por tanto tempo
Lembro dos olhos teus
quando deixei
a nossa cumplicidade silenciosa
Sem ao menos ter combinado
essa saída repentina
Hoje olhei para ele
e vi nos olhos dele
o que vejo em mim
Nossa metade que é feliz
e aquela outra metade
que ainda espera ser feliz



autoria:anacarolinacaldas

21 de jul. de 2008

Pra falar a verdade....

As coisas não ditas
O nó na garganta
As mágoas
Câncer

Qual é o medo
Da alma escancarada
As verdades
Autenticidade

Quero menos hipocrisia
Mais olho no olho
Cartas na mesa
Leveza

Pra que demagogia,
diplomacia
Se é pra revirar o estômago
Prefiro ao meu lado
quem tem coragem
De ser o que é

Te digo,
Tá valendo a pena
Levar a vida com essa turma
Que teima em falar a verdade
E vão contra a maré
Dessa coisa morna
De querer agradar
Fulano
Beltrano e Sicrano....


autoria: anacarolinacaldas

28 de jun. de 2008

VOCE ME ENSINOU A CAMINHAR....


Senti e sinto que boa nova vem chegando.
O passado que nem vivi fez um rebuliço
na minha alma, no coração e por fim
na vida.

Uma lição da vida
que me gerou.
Um olhar que é doce esconde
teu sofrimento que te lapidou
pra virar diamante, jóia rara.

Pra fazer desse momento
tempo pra me lapidar
e só um pouco dessa tua
grandeza eu quero alcançar.

Minha grande lição de vida
Daqui eu vou sozinha,
sempre seguindo os teus
exemplos:

Apesar de tudo, você
sempre insistiu na vida
Apesar de tudo, tua arma
foi teu sorriso
Apesar de tudo, o amor incondicional
foi teu remédio
Apesar de tudo, teus olhos
iam além de você
Apesar de tudo, apesar de tudo
tua caminhada “diferente” é a coisa mais bonita
desse mundo!



autoria:anacarolinacaldas
Tempo.

Tem tempo pra tudo.
Tempo pra não ter tempo
Tempo pra não ter nada
Tempo pra dar um tempo
Tempo...

Tem tempo de tudo que é jeito
Tempo frio, tempo quente
Tempo que esquenta
Tempo que esfria
Tempo...

Tem cada nós um tempo
Tempo pra ser
Tempo só pra ter
Tempo pra dizer não
Tempo que é sim
Tempo....


Tem tempo sem nome
Tempo que é da vida
Tempo que é vento
Tempo que é parado
Tempo....

Um tempo pra pedir um tempo
Do tempo
Tempo de correr, tempo de parar
Tempo de ouvir, tempo só de olhar
Tempo pra sentir
O Tempo.

Meu tempo
É hoje e mais nada.


autoria: anacarolinacaldas

25 de jun. de 2008

HISTÓRIAS DO MEU PAI - Nº2

A Briga do Fernando com mais de 100, pra me defender


Com as operações perdi muita escola. Mas finalmente comecei a freqüentar um “grupo escolar”. Entrei com mais de 07 anos. Era a Escola Emilio Meyer e ficava na mesma rua que morávamos. A minha professora também morava na mesma rua, era a Dona Glaci.

Um dia eu estava no recreio, andando de um lado para o outro no imenso pátio. Comia tranquilamente meu pão com ovo, minha merenda diária, quando de repente aparece na minha frente o irmão Fernando.

Eu disse: Como é que você entrou aqui? (era proibido entrada de quem não era aluno) E ele respondeu: Isto não te interessa, seu bobalhão! Eu vi aquele guri te dar um encontrão e tu nem reagiu!

Ora encontrão a gente sempre levava, já que eram mais de 100 alunos correndo em tudo que é direção. Eu disse: Que guri? Eu não vi! Ele me respondeu: Tu já vai ver quem foi. Incontinente, ele correu atrás de um piá e deu-lhe um tapa na cara, que fez o guri sentar no chão. Aí ele olhou pra mim e disse: - Pronto, era assim que tu tinhas que fazer, seu covarde!

De repente, ouve-se um silêncio no recreio. Todos alunos se deram conta que havia um estranho dentro do colégio. E mais grave ainda, que tinha agredido um dos alunos. Começou o cerco no Fernando. Todos os alunos de guarda-pó branco, menos o Fernando. Ele puxou a minha mão pra eu fugir com ele. Já tinha derrubado até o pão com ovo. Era uma horda de alunos nos encurralando mais ou menos uns cem alunos e nós recuando.Era uma onda branca. O Fernando pulou uma pequena árvore que tinha no pátio, quebrou um galho e depois avança contra a gurizada. Foi um esparramo.

Fernando aproveitou a folga e mandou eu pular o muro. Eu pulei, ele veio atrás. Saímos numa rua de trás do grupo. Voltamos para ir para casa. Ele me xingando, porque eu disse que tinha que voltar para o colégio para buscar minha pasta. Porém, quando entramos de volta na Rua Mario Pezzi, onde nós morávamos e onde também ficava a escola...Surpresa! A escola toda nos encurralando de novo.

O irmão Fernandão disse pra mim: “Te encosta no muro, que eu já volto.” Saiu em dasabalada carreira e foi em direção à nossa casa. Eu fiquei ali mais acovardado que um coelho em frente a uma manada de lobos. Todos os garotos começaram a vir para cima e eu ali encostado no muro. Cheguei a pensar em dizer que não tinha nada com isso e que eu nem conhecia aquele louco...

Mas eis que a piazada começou a bater em retirada. Sabem por que? O Fernando vinha de volta correndo com um pedaço de ripa de dois metros de altura com uns pregos na ponta. O mano gritava uns palavrões e arrastava a ripa no chão e saía faísca pra tudo que é lado. Ficou engraçado: a rua tomada pelos alunos de um lado e o Fernando e sua ripa mágica de outro. No meio da multidão dos alunos, por azar do piá, o Fernando avista o dito que tinha me dado um encontrão. “Pra que, meu Jesus!” Foi direto no guri e disse: “Gurizada, vão embora. Deixem só ele aqui e dêem uma ripa pra ele.”

Arrumaram uma ripinha pro pobre do guri. Os alunos recuaram uns 10 15 metros da “arena”. O Fernando com a ripa de dois metros, eu na retaguarda tremendo de medo e de outro lado o gurizinho sentenciado.

O Duelo

O Fernando avançou em velocidade gritando palavrões, novamente. E dizia “Vou te matar, seu infeliz!” “Vou furar teus olhos”. O que aconteceu? O guri jogou a ripinha no chão e fugiu. Os outros torcedores também, todos afinaram. Cheio de moral, o Fernando continuava riscando no chão a ripa mágica. E os guris em tropel entraram na escola.

Eu que estava um pouco atrás, avistei o Fernando correndo, mas correndo muito. Aí eu disse: “Eles estão voltando”? E ele: “Os guris não. Quem vem vindo agora atrás de mim é o inspetor.” Corremos pra casa e fim de estória. Só não consigo lembrar onde é que ficou minha pasta!


autoria: Luiz Carlos Moralles Caldas, meu pai




Reproduzo aqui mais um trechinho já escrito pelo meu pai sobre o mano Fernando:

“ Depois de um duelo proposto por ele comigo, que nem começou, porque o Fernando tirou sarro do jeito que eu estava “em posição de luta”. Começou a rir, rir e rir cada vez mais. E eu furioso. Fomos os dois para casa e ele se matando de rir no quarto e eu escutando, me mordendo de ódio. A mãe pergunta porque ele estava rindo e eu respondo “porque é louco”. Na verdade ele tinha me derrotado só com a risada, sem me dar um tapa. Só com aquela gargalhada... que eu até hoje morro de saudades. Como este mano me faz falta. As vezes a saudade me dói por dentro....”

Meu pai e o Tio Fernando formam uma dupla infalível até hoje. O pai aqui na terrinha e o tio, meu padrinho, lá no céu sempre dando uma espiadinha por aqui. Durante toda a vida, talvez não tenha um dia que o Tio não tenha ligado pro pai – pra saber do futebol, dos filhos, da saúde ou falar de política...

22 de jun. de 2008

HISTÓRIAS DO MEU PAI nº1

"OSTEOMELITE - Tu tens osteomelite, guri.. Mas nós vamos te deixar novinho em folha." Isto eu escutei de um médico ( meses e meses depois de muita dor e febre) não me lembro qual de tantos que me trataram. Do veredicto da pequena dorzinha no meu joelho, pra depois o inchaço e febres intermináveis - foram 09 anos de operações e hospitais ao longo da minha infância (devido à falta de conhecimento de tratamentos e falta de recursos para ir até um hospital melhor...) A mãe queria saber onde eu tinha me machucado. Eu tinha e tenho até hoje duas hipóteses: 1)Um bate bola com os imãos mais velhos. Eu de goleiro, encostado no galinheiro feito de tábuas. 2) Eu gostava de passar do alto de uma pereira para um pé de caqui. Quando eu estava quase conseguindo, como fazia sempre, o galho da pereira quebrou e eu cai lá do alto....

Não sei, não me lembro. Eu só tinha 07 anos. Mas o que é osteomelite? De 1945 a 1954 foram 13 operações. Operações em cima de operações cicatrizadas, minha perna foi ficando esburacada. Eu continuava brincando com os meus amigos e correndo, mesmo com uma perna dobrada e dura. As minhas correrias faziam sair mais sangue e apareciam na minha calça o que assutava meus amiguinhos. Foi mais ou menos nesta época que escutei pela primeira vez a palavra que me arrasou e modificou o meu jeito de ser. Um menino falou que não jogaria mais futebol comigo porque eu era um ALEIJADO. Até aquele dia eu nem sabia o que era um aleijado....(continua)"



Meu pai teve uma infância de provações. Passou humilhações, chegou a sair antes do cinema que tinha como personagem um deficiente físico, com medo que as outras crianças tirassem sarro. Perdeu amigos que tinham vergonha dele e até foi expulso do desfile escolar de 07 de setembro por uma professora, porque ele era "manco" e isso atrapalharia a "beleza" do desfile. Diz ele que ele "estava tão animado com o desfile, pensava na mãe e irmãos o vendo marchar..." Foi vendo os amigos sumirem marchando e o silêncio na rua. Ele sozinho, encostado no muro. Expulso do desfile. Ali perdeu o sorriso por um bom tempo em sua vida... E hoje, sua deficiência é charme - anda mancando bem de leve, quase não se percebe. Mas é difícil explicar como um homem que passou por tudo isso pode ser tão de bem com a vida, tão generoso, tão feliz, tão bem humorado, tão carinhoso, tão justo e humano. Fico pensando quantas vezes ele deve ter ficado com vontade - ao escutar nossas reclamações da vida - jogar na nossa cara o que era sofrimento de verdade. Mas não, nunca fez isso. Nunca usou disso pra dar exemplo.....Minha maior lição de vida é o meu pai. Te amo, paizão!



autoria: luizcarlosmorallescaldas - meu pai.

Vai ser borboleta, vai!


Essa é para a amiga com nome de flor: é a melhor definição para você neste momento – uma semente explodindo em cor , perfume e colorido. Arrebentando a terra, crescendo, aparecendo e desafiando as intempéries ao seu redor. Tava ali escondidinha debaixo da terra, no escuro, no conforto cômodo de não ver a luz, nem as tempestades, nem o amargo e muito menos o doce da vida como ela é. Foi você que me falou ontem: “as vezes temos que deixar os ciclos se fecharem, mesmo contra a nossa vontade. As vezes a gente acha que é hora, mas ainda não é....”. Assim como a natureza.

Teu ciclo é o da primavera, amiga! Vai lá voar feito borboleta, Angélica!


beijo da sua amiga Ana Carolina

Ps: Logo, logo eu te encontro também, feito borboleta.