Em busca de palavras que possam romper os dias.Palavras de todos os jeitos.Meus amigos cheguem mais perto...Fiquem à vontade.Que as palavras nos encontrem!
10 de out. de 2008
Juntamos objetos que são inúteis?
Como juntar dinheiro e não gastar, pensando que no futuro vai faltar?
Roupas, utensílios, etc. e outras coisas que já não usamos?
E dentro de nós?
Guardar o ruim: tristezas, mágoas?
É anti prosperidade...
É preciso criar espaços, um vazio para as coisas novas.
Eliminar o que é inútil para que a prosperidade venha.
É a força desse vazio que absorverá e atrairá o que desejamos.
Enquanto estivermos material e emocionalmente carregados de coisas velhas e inúteis não haverá espaço aberto para as novas oportunidades.
Os bens precisam circular!
A atitude de guardar coisas inúteis amarra a vida.
Não são os objetos guardados que estancam a vida, mas a atitude de guardar!
Quando se guarda, considera-se possibilidade de falta.
Mentalizamos que poderá faltar, e que não se terá meios de prover.
Com essa postura, estamos dizendo que não confiamos no amanhã, e bloqueamos que o novo e o melhor venham
uma vez que se alegra em guardar coisas velhas e inúteis!
(achei por ai, não sei de quem é..)
8 de out. de 2008
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinícius de Moraes

PRIMAVERA
"A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera."
Cecília Meirelles
7 de out. de 2008
OCASO 5 de out. de 2008
Andei pelos caminhos da Vida,
Caminhei pelas ruas do Destino
procurando meu signo.
Bati na porta da Fortuna,
mandou dizer que não estava.
Bati na porta da Fama,
falou que não podia atender.
Procurei a casa da Felicidade,
a vizinha da frente me informou
que ela tinha se mudado
sem deixar novo endereço.
Procurei a morada da Fortaleza.
Ela me fez entrar: deu-me veste nova,
fez-me beber de seu vinho.
Acertei o meu caminho.
Cora Coralina - Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas
19 de set. de 2008
Quero pensar em tudo
Então mundo me deixa quieta no canto
Quero organizar os pensamentos dos últimos anos
Mas sem a culpa de estar cá com os meus botões
Me deixa
Quero ordenar a vida
Mas de um jeito meu e não do teu, nem do teu
E muito menos do teu....
Desse jeito que eu já achei
Que me acalma a alma
Tão calma como o colo ao fim de uma longa viagem.
Permissão pra ser livre, Dona Alma!
Culpas de todos os tipos me assombram apenas pelo simples motivo de eu desejar ficar quieta, ficar parada um pouco, ficar sem posição, ficar sem opinião, ficar sem dar satisfação! Não se tem permissão. Dá licença, eu me dou permissão a partir de agora e pra sempre. Permissão pra ser livre da imposição de fazer tanta coisa que fazemos porque a gente vive com as regras que não estão em sintonia com a nossa alma....Ela me pediu liberdade. Estou a concedendo. Eu morro pra ela viver. Morre o meu corpo marcado pelos dedos dos julgamentos, pelos olhares do “vigiar e punir” da sociedade em que todo mundo vigia o outro para que ninguém faça o que todo mundo adoraria fazer. O corpo cansado da guerra das vaidades. Cansado das disputas. Cansado da arrogância. Vou descansar enquanto minha alma vai me levar pra sair por aí e viver generosamente o que a vida além das traves dos meus olhos podiam alcançar. Vou renascer por ela e com ela. Vou fazer apenas o que ela mandar! A Dona Alma.



