10 de jan. de 2010


Abrir as gavetas

Em 2010 prometo, prometo, prometo.
Não há mais nada para prometer,
Apenas abrir as gavetas,
Empoeiradas
Outras novinhas, vazias
Aguardando os sonhos, os meus
Gavetas emperradas de medo
Devagarzinho, abro.
Tantos entulhos deixados de lado
Tantas e outras lembranças
Esquecidas
Gaveta ao fundo com espelho
Redescubro
Nas gavetas todas abertas!

Abro as gavetas e que venha 2010!

29 de dez. de 2009

VIVA OS NOVOS DIAS!

Eh Viva! Viva os novos dias que se aproximam! Saravá, Aleluia, Amém



1- Que cachoeira é essa que descansa meus olhos?


2- Que cachoeira é essa que mata minha sede?


3- Que brisa é essa que leva as gotas para a vegetação?


4- Que barulho é esse que me acalma e tranqüiliza?


5- Que aroma bom é esse?


6- Que água tão limpa é essa?


7- Quem é aquele velhinho sentado na pedra perto da cachoeira?




Temos somente a resposta da ultima pergunta:É PAI BENEDITO DA CACHOEIRA


Bondoso velhinho sentado em uma pedra a beira da cachoeira, sua pemba em meu corpo cicatriza as chagas de meu orgulho, suas mãos cansadas tocam meu sentimento e contornam minha mente, sua sabedoria esta na compreensão dos pedidos dos irmãos, sua reza guiam meus pés aos bons caminhos, protegidos pela sua doce imantação, minhas mãos estendidas em suplicas são tão pequenas quanto as luzes refletidas de seu corpo: Os ventos sopram as lagrimas transbordadas dos seus olhos sendo recolhidas e conduzidas por Mamãe Oxum derramando-as nas águas da cachoeira, regando as flores de alfazema!


Autor Emidio de Ogum




(Cachoeira São Joao da Graciosa 19/12/2009
Créditos foto: Gilson Camargo)

27 de dez. de 2009

Recado ao coração


Promete pra mim:
No ano que vem
Para de ser bobo
Teimoso e torce
Pro meu time
Joga ao meu lado
Faz ao menos um gol
Ganha uma partida
Ah! Coração
Andas na linha comigo
Me fez errar tanto,
Desperdiçar noites e noites
Tudo em vão
Ah! Coração
Aponta teu dedo
Aos que me olhem
Assim, com o respeito
Que você merece
Promete?
Vais me tirar estas algemas
Que me ligam aos que
Não tem coração!



8 de dez. de 2009

conversaentreamigas

Contra raiva, vacine-se

Hoje numa conversaentreamigas “dissertei” sobre a raiva. E a defendi raivosamente com unhas e dentes. Por ora, pelo menos neste momento, ela tem sido libertadora e positiva, além de mobilizadora. Tirando mobilizar copos, garrafas...que sinceramente não faz bem o meu tipo de raiva, tem mobilizado minhas defesas contra invasores do tipo que devem ficar bem longe, e você apenas se deu conta quando....Bem, isso não vem mais ao caso. Por que assim como as baratas – aqui neste caso é a raiva do tipo nojo, sim este tipo faz parte, voaram, os invasores “foram mobilizados para muito longe”! E por último, esta é a mais doída, raiva de mim. Essa dói. Por que afinal, você não vai bater nesta “pobrecriaturaindefesa” que é você, né? Nem pena, ter pena desta grandecriatura que é você!? Não! De jeito algum. O fato é que diante disso tudo você não sabe o que fazer com você. Ao final da conversa, minha amiga, que me deixou dissertar sobre a atual fiel amiga raiva, apenas me disse: Perdoe-se.


Ok, você venceu! Contra raiva, vacine-se!
Ei, não você ai que me deu muita mais muita raiva.
Quem venceu, fui euzinha aqui, ó!

Um nó só
Cheguei
E agora?
Não sei mais sair do labirinto !
No meio de um novelo
Que não tem fim
Todas as cores, emaranhados, agulhas,
Não vão a lugar algum
Ficam aqui enroscando
A vida, os pés, o coração
Eu, todinha.

Um dia desato esse nó.
E aí CE vai ver só.
Vai ficar só
E eu sumo no pó!

19 de set. de 2009

Quando a criança era criança



Quando a criança era criança
caminhava agitando os braços,
Queria que o riacho fosse um rio,
o rio uma torrente,
e esta poça, o mar.
Quando a criança era criança,
não sabia que era uma criança,
tudo lhe parecia ter alma,
e todas as almas eram uma só.
Quando a criança era criança,
não tinha opinião para nada,
não tinha costumes,
sentava-se com as pernas cruzadas,
corria sobre o solo,
tinha um redemoinho no cabelo,
e não saía mal nas fotografias.




Peter Handke

18 de set. de 2009

Remédio: Palavras

Palavras são sintomas....
E curam quando escritas com afinco
Elas descem da alma, arrebentam o sono
Dilaceram o ar que respiro
Soam estranhas, loucas, desvairadas
Todas emaranhadas
Cada qual vai
Sintoniza
Escreve
Cura
Vergonha alheia

De vez em quando eu falo isso, ou melhor, eu sinto isso. Pode parecer até um pouco arrogante, sentir vergonha alheia. Sentir constrangimento por algo que considero vergonhoso que o outro fez e tomo “as dores” do próprio, e eu sinto a vergonha por ele.... Mas enfim, sinto isso de vez em quando. Sabe aquela vontade de se enfiar dentro de um buraco ou mesmo se esconder debaixo do sofá por uma semana mais ou menos? Pois então, dá uma vontade louca de fazer isso, quando, por exemplo, assisto cenas constrangedoras de “gente importante” dando carteirada se prevalecendo de um cargo, status e não sei mais o quê para obter benefícios ou mesmo um lugar ao lado do "rei". Li sobre uma destas cenas hoje e me senti envergonhada de tal comportamento digamos “tão provinciano”. Provinciano... lembra o coronel da cidadezinha pequena, sabe? Que veio da mesma casinha do Seu Zezinho, mas acabou por indicação do Prefeito virando coronel e ai começou achar que tinha o rei na barriga, que era o dono do mundo. Começou a lustrar melhor as botinas para que ficassem diferentes dos “reles” moradores da província. Andava pelas ruas dizendo a todo mundo que agora “ele era amigo pessoal do prefeito”. Deste modo, era o único que tinha a honra de entrar e sair sem ser anunciado. Enfim, estas coisas que acontecem no melhor estilo provinciano.... Mas bem na verdade, acredito que o raciocínio não seja bem este....E sim, os valores que cultivamos ao longo da nossa história desenham nosso comportamento. Então, que cada um desenhe o seu, não é mesmo? Mas que as vezes da vontade de sair correndo, dá!

5 de set. de 2009

Esquadros



Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Adriana Calcanhotto
Composição: Adriana Calcanhoto

26 de ago. de 2009

Eu me pergunto
Da onde vem essa calma
Não combina
O ritmo das coisas
Indica...indicava
Turbulência.
Eu me refaço
Da onde vinha você
Não combina
O ritmo das coisas
Indica...indicava
Turbulência
Calma
Que é ela
Que me diz
Minha´alma
Acalma
Volta
O ritmo
Das coisas
Da onde
Você vinha
Turbulência
Da onde vem
Essa
Calma
Indica
Minha alma.
Sem você, calma.
É ela
Que me diz
Eu me pergunto
da onde você vinha?