E ela se inventou...
Mais uma tentativa
Mas dessa vez foi diferente
Me portei no meu pedestal
Como o ser mais digno
Dentro de mim, da minha alma
Da essência verdadeira que me explica
Me portei no meu pedestal
Como o ser... mais risível
Não quis ter raiva, só amor incondicional
Não quis fazer tudo errado, fiz tudo certinho
Não quis não gostar de mim, e tive orgulho do que fiz
Não quis dar o braço a torcer, fui até o fim...
Mas eis que chega a Noite.
Perversa escureceu o que era a minha fantasia
Eu me portei no meu pedestal
Como o ser mais inventado ...
O amor incondicional se transformou em raiva
O certo foi todo errado
Meu orgulho me fez não gostar de mim
E o fim porque eu não dei o braço a torcer, já chegou
Faz tempo.
E perdida nas fantasias do meu dia
Eu nem percebi.
Autoria: anacarolinacaldas
Em busca de palavras que possam romper os dias.Palavras de todos os jeitos.Meus amigos cheguem mais perto...Fiquem à vontade.Que as palavras nos encontrem!
15 de abr. de 2007
5 de abr. de 2007

Todo sábado tinha Chico lá em casa!
Fui com meus pais no show do Chico, nesta quarta feira, no Teatro Guaira. Essa foi a combinação perfeita. Meus pais e o Chico. Primeiro os meus pais - são as pessoas mais iluminadas e intensas que eu conheço. Os dois tem os olhos sempre brilhando cheios de amor e compaixão. Os dois andam juntos ainda se aventurando, aprendendo e amando a vida. E o Chico? Foi com eles que aprendi a me encantar com o Chico Buarque.
Foi inevitável a choradeira. Passou um filme todinho da minha infância. Eu lembrei dos sábados na minha casa. Janelas abertas, cheirinho de café na cozinha e lá na sala bem alto eles já tinham colocado o Chico pra tocar. Sim, era desse jeito que a gente começava o sábado. Eu, minhas duas irmãs e meu irmão.
Lembrei também de um dia frio e minha mãe, creio desesperada com tanta criança em casa. Mas ela, nossa professora, sempre dava um jeito de inventar alguma brincadeira. E naquele dia colocou o disco Saltimbancos pra tocar e depois propôs: ”Vamos brincar de teatro!? Vamos fazer Saltimbancos?”. Ensaiamos, decoramos e depois noite adentro repetimos não sei quantas vezes a peça.
Depois da infância nós começamos a entender algumas conversas dos meus pais e também entendemos alguns significados das músicas do Chico. Ditadura, exílio, entre outros. Participei do Movimento Estudantil e as músicas da infância estavam ali me fazendo entrar no encantamento do sonho revolucionário de mudar o mundo. Ah.. como cantei o "Apesar de Você" quando estava “contra atacando” os inimigos da democracia, do socialismo...Diga-se de passagem, minha música preferida.
Quantas vezes nossa mãe nos viu – nós meninas de casa – românticas assumidas, chorando pelos amores perdidos ou pelos amores vividos embaladas pela “Todo sentimento” ou “Futuros Amantes”. E como é sempre muito engraçado ouvir o meu pai dizer “Sou o cara mais corno manso que existe”, quando a minha mãe suspira ao ver o Chico...
Ah! Como foi bonito no show, eu de vez em quando de rabo de olho, espiar a minha história ao lado sentada comigo e ali na frente... no palco. Eu chorei tanto porque tudo aquilo tem o cheiro da minha casa, da gente toda reunida, do barulho dos meus irmãos, das músicas, do meu pai sentadinho na frente da vitrola (isso mesmo: vitrola!) escutando e cantando, da minha mãe de um lado pro outro arrumando a casa e cuidando de todo mundo. Enquanto o Chico andava por lá embalando os nossos sábados, os nossos laços, a nossa vida...
Exagero? Não... não é não. Só saudades.
autoria: anacarolinacaldas
Fui com meus pais no show do Chico, nesta quarta feira, no Teatro Guaira. Essa foi a combinação perfeita. Meus pais e o Chico. Primeiro os meus pais - são as pessoas mais iluminadas e intensas que eu conheço. Os dois tem os olhos sempre brilhando cheios de amor e compaixão. Os dois andam juntos ainda se aventurando, aprendendo e amando a vida. E o Chico? Foi com eles que aprendi a me encantar com o Chico Buarque.
Foi inevitável a choradeira. Passou um filme todinho da minha infância. Eu lembrei dos sábados na minha casa. Janelas abertas, cheirinho de café na cozinha e lá na sala bem alto eles já tinham colocado o Chico pra tocar. Sim, era desse jeito que a gente começava o sábado. Eu, minhas duas irmãs e meu irmão.
Lembrei também de um dia frio e minha mãe, creio desesperada com tanta criança em casa. Mas ela, nossa professora, sempre dava um jeito de inventar alguma brincadeira. E naquele dia colocou o disco Saltimbancos pra tocar e depois propôs: ”Vamos brincar de teatro!? Vamos fazer Saltimbancos?”. Ensaiamos, decoramos e depois noite adentro repetimos não sei quantas vezes a peça.
Depois da infância nós começamos a entender algumas conversas dos meus pais e também entendemos alguns significados das músicas do Chico. Ditadura, exílio, entre outros. Participei do Movimento Estudantil e as músicas da infância estavam ali me fazendo entrar no encantamento do sonho revolucionário de mudar o mundo. Ah.. como cantei o "Apesar de Você" quando estava “contra atacando” os inimigos da democracia, do socialismo...Diga-se de passagem, minha música preferida.
Quantas vezes nossa mãe nos viu – nós meninas de casa – românticas assumidas, chorando pelos amores perdidos ou pelos amores vividos embaladas pela “Todo sentimento” ou “Futuros Amantes”. E como é sempre muito engraçado ouvir o meu pai dizer “Sou o cara mais corno manso que existe”, quando a minha mãe suspira ao ver o Chico...
Ah! Como foi bonito no show, eu de vez em quando de rabo de olho, espiar a minha história ao lado sentada comigo e ali na frente... no palco. Eu chorei tanto porque tudo aquilo tem o cheiro da minha casa, da gente toda reunida, do barulho dos meus irmãos, das músicas, do meu pai sentadinho na frente da vitrola (isso mesmo: vitrola!) escutando e cantando, da minha mãe de um lado pro outro arrumando a casa e cuidando de todo mundo. Enquanto o Chico andava por lá embalando os nossos sábados, os nossos laços, a nossa vida...
Exagero? Não... não é não. Só saudades.
autoria: anacarolinacaldas
3 de abr. de 2007
POR TODA UMA VIDA...
Eu vi nos olhos deles
A espera
A resignação
E a consciência
Que não há nada mais para se perder
Que a vida se finda a cada final do dia
A alegria de estar junto
Reviver
Os anos
Bem vividos
Em silêncio, cruzam os olhares
Na velhice e no amor que os une
Já pedi, já rezei, já implorei
A todos
Os santos
Que eles possam ficar
Para ainda embalar os meus sonhos
Eternamente em minha vida
Por que
É deles
A minha
história vivida
E o meu maior sofrer é não saber
Escrever o ponto final de todas as nossas histórias
autoria:anacarolinacaldas
Dedicada para as duas pessoas que eu mais amo nesse mundo...
Eu vi nos olhos deles

A espera
A resignação
E a consciência
Que não há nada mais para se perder
Que a vida se finda a cada final do dia
A alegria de estar junto
Reviver
Os anos
Bem vividos
Em silêncio, cruzam os olhares
Na velhice e no amor que os une
Já pedi, já rezei, já implorei
A todos
Os santos
Que eles possam ficar
Para ainda embalar os meus sonhos
Eternamente em minha vida
Por que
É deles
A minha
história vivida
E o meu maior sofrer é não saber
Escrever o ponto final de todas as nossas histórias
autoria:anacarolinacaldas
Dedicada para as duas pessoas que eu mais amo nesse mundo...
“De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp’ro, não fantasêia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei deste gosto, de especular idéia. O diabo existe e não existe? Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso...”
João Guimarães Rosa
Grande Sertão: Veredas
Enviado por Glauber Piva ... que de vez em quando "especula" idéias comigo
25 de mar. de 2007
Um Tempo Que Passou
Vou
Uma vez mais
Correr atrás
De todo o meu tempo perdido
Quem sabe, está guardado
Num relógio escondido por quem
Nem avalia o tempo que tem
Ou
Alguém o achou
Examinou
Julgou um tempo sem sentido
Quem sabe, foi usado
E está arrependido o ladrão
Que andou vivendo com o meu quinhão
Ou dorme num arquivo
Um pedaço de vida, vida
A vida que eu não gozei
Eu não respirei
Eu não existia
Mas eu estava vivo
Vivo, vivo
O tempo escorreu
O tempo era meu
E apenas queria
Haver de volta
Cada minuto que passou sem mim
Sim
Encontro enfim
Iguais a mim
Outras pessoas aturdidas
Descubro que são muitas
As horas dessas vidas que estão
Talvez postas em leilão
São
Mais de um milhão
Uma legião
Um carrilhão de horas vivas
Quem sabe, dobram juntas
As dores coletivas, quiçá
No canto mais pungente que há
Ou dançam numa torre
As nossas sobrevidas
Vidas, vidas
A se encantar
A se combinar
Em vidas futuras
E vão tomando porres
Porres, porres
Morrem de rir
Mas morrem de rir
Naquelas alturas
Pois sabem que não volta jamais
Um tempo que passou
Chico Buarque
Composição: Indisponível
Vou
Uma vez mais
Correr atrás
De todo o meu tempo perdido
Quem sabe, está guardado
Num relógio escondido por quem
Nem avalia o tempo que tem
Ou
Alguém o achou
Examinou
Julgou um tempo sem sentido
Quem sabe, foi usado
E está arrependido o ladrão
Que andou vivendo com o meu quinhão
Ou dorme num arquivo
Um pedaço de vida, vida
A vida que eu não gozei
Eu não respirei
Eu não existia
Mas eu estava vivo
Vivo, vivo
O tempo escorreu
O tempo era meu
E apenas queria
Haver de volta
Cada minuto que passou sem mim
Sim
Encontro enfim
Iguais a mim
Outras pessoas aturdidas
Descubro que são muitas
As horas dessas vidas que estão
Talvez postas em leilão
São
Mais de um milhão
Uma legião
Um carrilhão de horas vivas
Quem sabe, dobram juntas
As dores coletivas, quiçá
No canto mais pungente que há
Ou dançam numa torre
As nossas sobrevidas
Vidas, vidas
A se encantar
A se combinar
Em vidas futuras
E vão tomando porres
Porres, porres
Morrem de rir
Mas morrem de rir
Naquelas alturas
Pois sabem que não volta jamais
Um tempo que passou
Chico Buarque
Composição: Indisponível
...essa música me faz lembrar de todas as esperanças que tive desde que me conheço por gente fazendo parte das lutas da vida. Me faz lembrar que eu tinha mais forte meus ideais, minhas lutas e desejo por um mundo em transformação. Lembro do tempo sim que eu aprendi lá em casa e com os meus amigos a torcer que muitos milhões de votos fossem depositados à opção "mais revolucionária." Tempo em que eu chorava e me emocionava mais quando sentia que alguma coisa podia de verdade mudar... Tempo que eu me emocionava mais com as músicas do CHICO....Tempo que não volta mais. O que me resta é ter esperanças que aqui dentro de mim surja um novo tempo.
anacarolinacaldas
Perdi
...a batalha entre eu e todos os meus temores, inseguranças e surtos que me assombram e insistem em invadir os meus dias e desconcertar os meus passos.
...as esperanças de poder voltar atrás e fazer tudo diferente, sem errar, com a dignidade que sempre imaginei pra mim.
...pro meu destempero e a maldita intensidade a tudo e a todos a quem devoto amor, afeto, carinho e sem perceber me atropelei e me perdi....
De você.
...a batalha entre eu e todos os meus temores, inseguranças e surtos que me assombram e insistem em invadir os meus dias e desconcertar os meus passos.
...as esperanças de poder voltar atrás e fazer tudo diferente, sem errar, com a dignidade que sempre imaginei pra mim.
...pro meu destempero e a maldita intensidade a tudo e a todos a quem devoto amor, afeto, carinho e sem perceber me atropelei e me perdi....
De você.
autoria: Ana Carolina Caldas
4 de nov. de 2006
POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Clarice Lispector
in "Para não esquecer" - 5ª ed. - Siciliano - São Paulo, 1992
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Clarice Lispector
in "Para não esquecer" - 5ª ed. - Siciliano - São Paulo, 1992
31 de out. de 2006
Antes que o dia amanheça
“Com o corpo coberto de cicatrizes,
portando estrelas no peito,
nos olhos a invencível vocação de mar,
nós, os primitivos
voltamos
e somos milhões.”
Pedro Tierra
Antes que amanheça, saibamos do dia que encerramos.
Nascido das trevas, o dia findo carregou a marca da ansiedade e ofereceu-nos caminhos confusos, ora escuros, ora alegres; ora penhascos, ora planícies, ora planalto.
Construído com a massa da qual são feitas as utopias, este dia trouxe em seu ventre o sangue dos que lutaram contra as ditaduras, o suor dos que resignificaram o trabalho e os sonhos dos que reinventaram o Brasil. Neste dia que tanto demorou para nascer e agora já está terminado, o povo saiu da platéia e invadiu o palco.
A pobreza diminuiu, a fome diminuiu, o desemprego diminuiu. Neste dia, o Brasil e a América Latina se reencontraram e o mundo descobriu novos atores. Neste dia, negros e pobres, mulheres e homens, jovens e velhos acenderam o seu candeeiro e não deixaram a noite obscurecer o país.
Antes que o dia amanheça, lembremos da noite que vivemos.
Não podemos inaugurar o amanhã se não tratarmos as dores da noite. Vivemos tempos de ardor e descobertas e chegou a hora de reconhecê-las.
Aos que pensaram que diálogos encerram lutas e aniquilam diferenças, esta noite sepultou as ilusões: se somos plurais e diversos, somos também diferentes, somos um povo nascido das opressões, forjado nos mais duros embates e esta noite nos banhou com a mais antiga de todas as lutas.
Antes do amanhecer, identifiquemos nossos erros e purguemos nossas culpas, mas também olhemos nos olhos de nossos algozes e não nos esqueçamos de seus falsos moralismos, de suas condenações vazias desenhadas em manchetes e de seu autoritarismo que tentou nos impor o silêncio e a submissão.
Nesta longa noite, nossas dores doeram mais forte, mas também nos fortaleceram para o longo dia que chegou.
Antes que o dia amanheça, olhemos o horizonte, pois ele guarda o sol que iluminará as nossas lutas.
Aos que esperam por descanso, o novo dia não oferecerá cama macia, mas caminhos pedregosos. Aos que carregam armas, o novo dia não permitirá intolerância, mas exigirá inteligência. Aos que aspiram por consenso, a manhã nos propõe argumento e nos lembra que é tempo de sedução e dissenso.
Neste dia, com as frestas reveladas pelo sol, caberá às forças populares organizarem o seu projeto e articularem suas energias. Nossa comunicação tem de ser mais eficiente e nossas vozes mais audíveis. Na manhã que se anuncia, a esquerda deve se saber esquerda, os democratas se fazer republicanos e o povo não sair do palco.
O dia será longo, as lutas serão duras e outra noite poderá vir. Evitá-la é tarefa de milhões. Que tenhamos aprendido com a crueza da noite!
Glauber Piva é Secretário Nacional de Cultura do PT
Ps: (agora Glauber...vc podia continuar escrevendo por aqui...)
“Com o corpo coberto de cicatrizes,
portando estrelas no peito,
nos olhos a invencível vocação de mar,
nós, os primitivos
voltamos
e somos milhões.”
Pedro Tierra
Antes que amanheça, saibamos do dia que encerramos.
Nascido das trevas, o dia findo carregou a marca da ansiedade e ofereceu-nos caminhos confusos, ora escuros, ora alegres; ora penhascos, ora planícies, ora planalto.
Construído com a massa da qual são feitas as utopias, este dia trouxe em seu ventre o sangue dos que lutaram contra as ditaduras, o suor dos que resignificaram o trabalho e os sonhos dos que reinventaram o Brasil. Neste dia que tanto demorou para nascer e agora já está terminado, o povo saiu da platéia e invadiu o palco.
A pobreza diminuiu, a fome diminuiu, o desemprego diminuiu. Neste dia, o Brasil e a América Latina se reencontraram e o mundo descobriu novos atores. Neste dia, negros e pobres, mulheres e homens, jovens e velhos acenderam o seu candeeiro e não deixaram a noite obscurecer o país.
Antes que o dia amanheça, lembremos da noite que vivemos.
Não podemos inaugurar o amanhã se não tratarmos as dores da noite. Vivemos tempos de ardor e descobertas e chegou a hora de reconhecê-las.
Aos que pensaram que diálogos encerram lutas e aniquilam diferenças, esta noite sepultou as ilusões: se somos plurais e diversos, somos também diferentes, somos um povo nascido das opressões, forjado nos mais duros embates e esta noite nos banhou com a mais antiga de todas as lutas.
Antes do amanhecer, identifiquemos nossos erros e purguemos nossas culpas, mas também olhemos nos olhos de nossos algozes e não nos esqueçamos de seus falsos moralismos, de suas condenações vazias desenhadas em manchetes e de seu autoritarismo que tentou nos impor o silêncio e a submissão.
Nesta longa noite, nossas dores doeram mais forte, mas também nos fortaleceram para o longo dia que chegou.
Antes que o dia amanheça, olhemos o horizonte, pois ele guarda o sol que iluminará as nossas lutas.
Aos que esperam por descanso, o novo dia não oferecerá cama macia, mas caminhos pedregosos. Aos que carregam armas, o novo dia não permitirá intolerância, mas exigirá inteligência. Aos que aspiram por consenso, a manhã nos propõe argumento e nos lembra que é tempo de sedução e dissenso.
Neste dia, com as frestas reveladas pelo sol, caberá às forças populares organizarem o seu projeto e articularem suas energias. Nossa comunicação tem de ser mais eficiente e nossas vozes mais audíveis. Na manhã que se anuncia, a esquerda deve se saber esquerda, os democratas se fazer republicanos e o povo não sair do palco.
O dia será longo, as lutas serão duras e outra noite poderá vir. Evitá-la é tarefa de milhões. Que tenhamos aprendido com a crueza da noite!
Glauber Piva é Secretário Nacional de Cultura do PT
Ps: (agora Glauber...vc podia continuar escrevendo por aqui...)
4 de out. de 2006
1 de out. de 2006
Vou pedir licença para os tempos das poesias e expressar meu sentimento de indignação com a imprensa brasileira que nos trata como se todos fossemos medíocres e ignorantes, como se não mercessemos ao mínimo cobertura "um pouquinho imparcial"...Chega deste 4° poder!!!!!!!
Leiam texto do Prof° Toni :
A mídia venceu: vou votar no Lula!
Depois de abrir o UOL, antevendo a manchete da Folha de S.Paulo para amanhã, resolvi: vou votar!Não suporto a idéia de ser obrigado a fazê-lo, essa lei é anacrônica e estúpida, mas pior é ver a eleição sendo decidida pelo golpismo da imprensa!Não consigo deixar de pensar em 1989, quando a Globo fazia o serviço sujo, secundada por órgãos da imprensa escrita.Claro que este Lula e este PT não se parecem nadinha com o de 1989. Já a mídia...Penso que meu voto não refrescará em nada, mas não contribuirei com esses tontos e menos ainda com a hipótese de ver o Brasil governando pela OPUS DEI.Entristecido, emputecido, torcendo o nariz, vou à seção eleitoral amanhã para cravar o 13, espero que pela última vez
http://proftoni.blogspot.com/
Leiam texto do Prof° Toni :
A mídia venceu: vou votar no Lula!
Depois de abrir o UOL, antevendo a manchete da Folha de S.Paulo para amanhã, resolvi: vou votar!Não suporto a idéia de ser obrigado a fazê-lo, essa lei é anacrônica e estúpida, mas pior é ver a eleição sendo decidida pelo golpismo da imprensa!Não consigo deixar de pensar em 1989, quando a Globo fazia o serviço sujo, secundada por órgãos da imprensa escrita.Claro que este Lula e este PT não se parecem nadinha com o de 1989. Já a mídia...Penso que meu voto não refrescará em nada, mas não contribuirei com esses tontos e menos ainda com a hipótese de ver o Brasil governando pela OPUS DEI.Entristecido, emputecido, torcendo o nariz, vou à seção eleitoral amanhã para cravar o 13, espero que pela última vez
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