23 de nov. de 2008

Boa companheira


Sabe aquela alegria que vem sem sentido.
Vem quando não devia vir
Afinal, as coisas estão todas de ponta cabeça
Tudo virado, mudado, desacertado!
E essa louca chega assim
E deixa assim também tudo ao redor!
Ah! A razão, a lógica, as regras, os olhos
Avisam que isso não é coisa de gente muito certa
A tristeza e a depressão combinariam melhor
Com a ocasião...
Mas não é que a alma dança, o coração está aos pulos!
Os pés como se estivessem voando, os braços
loucos para sair abraçando
Os olhos, os olhos brilhando
Ávidos por cada minuto
Que se passa nessa vida
Curta, imprevisível
Que chega e diz
Aproveita!
Descomplica!
Afirma!
Encoraja!
Ama!
Respira!
Vai em frente
E só ela, pode ser
Nessa estrada
Sua boa companheira
Alegria!



autoria: anacarolinacaldas

16 de nov. de 2008

A coragem de fazer a diferença


Uma pessoa só pode fazer alguma diferença em pleno caos?
As ações de uma única pessoa poderão modificar um sistema social vigente?
Quantas vezes utilizamos como desculpa a frase: De que adianta? Sou somente um na multidão...
Mas, uma mulher, durante a Segunda Guerra Mundial, pensou diferente, agiu e fez a diferença para nada menos de 2.500 vidas.

Pouco conhecida embora, é chamada de A Schindler feminina.
Irena Sendler arriscou sua vida para salvar outras vidas.
Enfermeira, tinha trânsito livre no gueto de Varsóvia, um quarteirão de 4 quilômetros quadrados, onde foram colocadas 500.000 pessoas.

Espalhando notícias, entre os nazistas, de que tifo e outras doenças contagiosas acometiam os confinados no gueto, ela planejou e colocou em prática arriscada estratégia.
Seu objetivo: salvar o maior número possível de crianças judias, retirando-as do gueto.
A parte mais difícil era convencer as mães a lhe entregarem os filhos.
Lamentos, choro, gritos. Mas, em caixas de ferramentas, sacolas, malas, cestos de lixo, sacas de batatas, por dentro do casaco, ela ajudou a retirar crianças do quarteirão.

Por ser idealista, o horror da guerra não lhe arrefeceu a esperança da primavera de paz.
E ela preservou em dois frascos, enterrados sob uma árvore, as identidades de cada uma das crianças: nome verdadeiro e para onde fora encaminhada.
Conseguiu adesão de mais de uma dezena de pessoas, através das quais conseguia documentação falsa para os pequenos.

Em 1943, ela foi presa e levada à prisão de Pawiak. A Gestapo desejava que ela confessasse o paradeiro das crianças: quantas seriam? Quem seriam? Onde estavam? Quem a havia auxiliado?
Irena teve quebrados seus pés e suas pernas e sofreu as mais vis torturas. A ninguém delatou e nada informou.

Condenada à morte, foi salva a caminho da execução por um oficial alemão, subornado pela Resistência.

As pernas fraturadas e as torturas sofridas tiveram como conseqüência a cadeira de rodas, que ela suportou sem reclamações nem queixas.

Manteve, até o final dos seus dias, a serenidade no olhar e o sorriso nos lábios.
Essa mulher corajosa desencarnou no dia 12 de maio de 2008. Foi indicada pelo governo polonês, com o apoio do governo de Israel, ao prêmio Nobel da Paz.
As vidas que salvou das garras do horror nazista e frutificaram em filhos e netos, não a esquecem.

Muitos a foram visitar, no pós-guerra.
Ela figura entre as 6.000 polonesas que ganharam o título de Justo entre as nações, concedido aos que trabalharam pelas vidas dos seus irmãos, nos negros dias da guerra vergonhosa.
Uma mulher que fez a diferença, com vontade e determinação.
Fez a diferença porque não ficou reclamando da situação em que mergulhara a Polônia, mas colocou mãos à obra e realizou a sua parte, acenando esperanças.

* * *
Pensemos nisso, reflitamos e verifiquemos se, nos dias que vivemos, a nossa voz, a nossa atitude, o nosso gesto não pode fazer a grande diferença entre a morte e a vida, entre o desespero e o cântico da esperança.
Pensemos...


Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Irena Sendler, colhidos nos sites http://www.slideshare.net ; noticias.uol.com e pt.wikipedia.org.Em 11.11.2008.

8 de nov. de 2008

Rachel

Mais uma criança. Mais um ato de violência e a banalização.
No dia em que ela foi achada eu li a notícia assim como todos os outros brasileiros que todos os dias sentam-se à frente da televisão e assistem o noticiario da TV. Sinceramente, mesmo que eu seja alguém que procure sempre lutar contra todas as injustiças do mundo, me portei como alguém que lia indignada mais uma notícia de violência, mas que minutos depois mudaria de canal ou página....
À noite, um amigo me informou que ela era filha de um amigo seu. Reli a notícia e vi que eu conhecia seus familiares. Eu sinceramente fiquei assustada com a minha postura, com a minha sensação apática, como se aquilo fosse só mais um caso. Eu fiquei revoltada com a minha falta de indignação...Depois, contei a um amigo da Bahia o que tinha acontecido e ainda comentei que ela era parente de conhecidos. Ele lamentou e comentou: “Aqui hoje uma menina foi morta a facadas.” E então todos os dias saindo ou não nos noticiários, casos, inúmeros casos iguais a esses acontecem... e estão nos amortizando, banalizando, tornando-se normais. A violência é a normalidade em nosso cotidiano. E sinceramente, estamos perdendo o senso da indignação....Os bandidos, os pedófilos, os dementes estão nos ganhando....

Sem querer fazer apologia política. Sem querer levantar bandeiras por mais segurança ou isso ou aquilo....quero voltar a fazer gritar minha consciência que foi acordada quando se deparou com a própria apatia, quero fazer minha revolta se transformar em ação e pedir não justiça, mas pedir que o mundo se humanize. Não pedir apenas. Fazer com as minhas próprias mãos a justiça divina. A justiça do amor, do cuidado com o outro, a justiça principalmente de fazer valer a vez do ser humano. Ser humano...e com ação levar a mensagem que é a hora é agora. Agora é hora de ser humano.

Quero mais do que nunca lutar sim por um mundo mais humano, amoroso, solidário. Não sei como...pois nos sentimos impotentes frente à atrocidades como esta e parece muitas vezes não haver saída. Mas por todas as meninas como Rachel, eu quero fazer acordar minha consciência e me colocar à disposição para fazer desse mundo um mundo melhor.

Se eu estou nesse mundo é para isto. E você também.
autoria:anacarolinacaldas

6 de nov. de 2008

Meu Pai e Eu

de Airton Pimentel

Antes de partir meu Velho me entregou o seu Chapéu
E disse : “Agora meu Filho vais cumprir o teu papel”
Sempre segui seus conselhos de quem agora esta no céu
E seu velho Chapéu de Feltro eu guardo como um Troféu.
Parece que vejo meu Pai quando olho-me no espelho,
Ele quando era mais novo e eu quando estiver mais velho.
O Tempo vem, o Tempo vai Meu Pai e eu, eu e meu Pai
Agradeço a Deus ao Pai que me deu
Quem tem seu Pai agradeça a Deus.
Se me confundem com Ele quando me vêem passando
Abro os meus braços prá queles que em mim estão Lhe abraçando.
Carrego em meu Coração a Tradição e o Sobrenome,
A mais alta distinção que pode alcançar um Homem.
Parece que vejo meu Pai quando olho-me no espelho,
Ele quando era mais novo e eu quando estiver mais velho.
O Tempo vem, o Tempo vai
Meu Pai e eu, eu e meu Pai
Agradeço a Deus ao Pai que me deu

Quem tem seu Pai agradeça a Deus.

... Sem choro, apenas muitas alegrias, 'Brahmas', Churrasco e boas e acalentadoras Lembranças!!!

Abraços à Todos

du Véio Maragato_i_Crioulista (cultuador da Eqüina Raça Crioula)
do primo Nelson Caldas pelo aniversário do meu pai

5 de nov. de 2008

AQUILO QUE FLUI

Só isso que permanece
O resto não era para ser.
Não fica
Vai embora.

O que flui
Sereno é.
E prova o amor
Incondicional

Perdoa
Supera
Silencia
Olha, entreolha
E compreende
Apenas, sente.

O que flui
Sintonia é.
E comprova a verdade
Que liberta

Socorre
Ajuda
Comemora
Vai junto, sem disputa
E vibra
Apenas, flui.



autoria:anacarolinacaldas

12 de out. de 2008

HISTÓRIAS DO MEU PAI Nº 04

MEU AMIGO PROPÍCIO, “O HOMEM NU’’

Propício era o único amigo que eu tinha. Ele morava em uma casa em frente ao barracão, onde fica a nossa casa. Meu amigo não “batia bem de rosqueio”, como se diz para um cara meio loquinho. Era apaixonado pela minha irmão Vilma. Quando ela aparecia na janela da cozinha onde ela ficava do meio dia até as duas horas – lavando, enxugando e guardando louça, o Propício só queria saber de brincar ali na frente. Ele me dizia: “Será que ela quer casa comigo?” Nós tínhamos nove anos. Vê se o cara era certo?

Um dia ele me convidou para andar de avião, um que ele tinha construído. Era um tronco de árvore e uma tábua presa em cima do tronco, em forma de cruz, que seriam as asas. Ele mandou eu subir no avião para que pudesse “dar a partida”. Sentei no tronco e ele imediatamente: “ Se segura que nós vamos sobrevoar Caxias.” Fazia o barulho do avião com a boca. Então ele olha para baixo e começa a avistar as “belezas” de Caxias. “Olha lá, Luiz, a Praça Rui Barbosa! Olha o Cine Guarani! Olha o Campo da Juventude”. No começo eu só via terra e formiga em volta do nosso tronco (o nosso avião). Mas, com o passar do tempo eu comecei a ver também o que o “loquinho” dizia ver. Loucura é transmissível.

Ele tinha muitas coisas engraçadas. Uma delas era quando íamos para o centro de Caixas e ele então de repente parava na frente da gente e gritava: “Quer que eu diga um nome vem feio (um palavrão)? Aí então ele gritava, a todo pulmão: “Homem nu! Homem nú!” As pessoas que passavam olhavam espantados para aquele guri. Ele achava que “homem nu” era um palavrão muito feio. Pobrezinho, nem o próprio Pestalozi explicaria!

Um dia , quando eu já estava casado e morando em Curitiba, recebi um telefonema do Fernando lá de Caxias (ele me telefonava quase todas as semanas) me perguntando se eu tinha comprado o jornal Zero Hora. Aí ele me contou a notícia: “ Você viu a confusão que deu ontem com os funcionários tentando invadir o Palácio do Governador?” Quando eu disse que não, ele mandou eu comprar o Zero Hora para ler a entrevista com um dos tenentes, chefe da guarda do Palácio Piratini, sede do governo. “Sabe que é o tenente, o Propício!” Santa Maria! O cara tinha dez parafusos a menos e agora era chefe da guarda do palácio. Só mesmo gritando bem alto: “Homem nu! Homem nu!
autoria: Luiz Carlos Moralles Caldas - meu pai

HISTÓRIAS DO MEU PAI Nº 03



OS HÓSPEDES DA MINHA MÃE


Um dia apareceu em casa para ficar apenas “uns dias” uma senhora que eu não lembro quem era e o seu filho, um tal de Faeco. Esse guri tinha a minha idade mais ou menos e era o cara mais guloso que eu conheci. Quando a mãe vinha com o prato pronto da cozinha para servir um por um como ela tradicionalmente fazia, ele gritava: “ Para quem é este pratarrão?” A mãe respondia: “É pra ti, Faeco!”. O guloso dizia: “Mas só esta misgainha?”

Um dia deu uma caganeira nesse esfomeado que ele correu para o banheiro na hora que estávamos comendo a sobremesa – uma farta distribuição de laranjas. Não é que o tal de Faeco estava com a porta entreaberta para nos espionar, para ver o que estávamos comendo em sua ausência?! Quando ele viu, começou a gritar: “ Eu também queroooo laranja!” A mãe perdeu a paciência com ele e carregou da cozinha meio saco de laranjas e colocou bem na frente do rapazinho que continuava “sentadito” no trono. Ela fez isso para ver se ele se ofendia, mas que nada. O retardado ainda reclamou: “Mas cadê a faca?” Com faca e tudo, ficou lá cagando e comendo laranjas por umas duas horas mais ou menos. Só ouvi a mãe dizer: “ Este guri é fraco da cabeça, parece um biguá.” ( Biguá é uma ave pernalta que come peixe. Quando seu papo já está cheio, continua comendo só que os peixes entram pelo bico e saem pelo rabo na mesma hora.)


Outra senhora que também não lembro o nome foi passar “uns dias” em nossa casa e levou sua filha que tinha uns trinta anos e precisava recuperar a saúde, já que ela estava com anemia. Parece que as comadres da mãe nunca tinham ouvido falar de hospital! Era tudo lá em casa. O problema é que eu fui vítima da anemia a fulana.

Uma certa manhã fui fazer a inspeção rotineira no meu galinheiro e dei falta de um dos meus frangos de briga. Voltei para casa e entrei na cozinha para relatar o que tinha acontecido para a mãe. Foi um choque para mim. O meu frango estava dentro do panelão. Comecei a chorar e a mãe me levou par a fora e me explicou a bondade que tinha feito com o meu galinho: “Cala a boca, Luiz! Tive que matar o frango para fazer um caldinho porque a fulaninha está fraquinha.”

Imaginem o tamanho da minha raiva depois desta. Fui para cama entre lágrimas e com muita fé e respeito rezava: “O meu todo poderoso criador da terra e do céu. Dentro da sua infinita bondade, faça um favor para este seu servo que tanto lhe ama. Mate estas duas desgraçadas, ainda hoje se possível.” Mas, Deus não me ouviu.

A nossa hóspede, a mãe da fracote, dormia até as cinco da tarde, acordava e aparecia na sala com toda aquela vasta cabeleira branca, em pé parecendo uma alma de outro mundo. E dizia: “Já beberam café? Nem me esperaram.” Pobre da mãe, ainda tinha que ouvir isto. ( O tal “de quem é este pratarrão” e o “já beberam café” ficaram famosos em nossa família e anos e anos algum de nós sempre repetia.)
autoria: Luiz Carlos Moralles Caldas - meu pai

10 de out. de 2008





A sorrir....


Ah! Hoje lembrei do eco das risadas
Elas em tantos lugares
Com tanta gente
Em tantas horas

Abria a boca como se abrisse a porta do mundo
E ria com vontade
Como um aviso pro mundo
Que se queria ser feliz, pra sempre

Dá uma saudade, até.
Do eco lá de quando a gente vivia junto
Da casa cheia, da gente reunida
Da vida mais colorida

Uma infância em que o grande barato
Era contar ao final do dia
O quanto se riu
Da cara de um e de outro, ou do tombo
ou ainda da melhor piada

Agora, é tão bom quando um pouco disso volta...
Mas não é todo dia
Acho que é por isso, que todo dia
Dou um pouco de risada...de qualquer coisa.
Um pouco que seja.


E sorrio pras lembranças da menina mais risonha
Que naquela rua por lá andava
Brincava de ser princesa ou de bruxa
Mas sempre, mesmo quando aquela melancolia
que a perseguia chegava de uma hora pra outra
Ela batia o pé, e dava uma boa gargalhada!
da Ana, cara de banana!


autoria: anacarolinacaldas



de Caio Fernando de Abreu



"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu Deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu Deus como você me dói de vez em quando"


"... tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara."


"Abraçe a sua loucura antes que seja tarde de mais"


"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"


"Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia."


"Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva."


"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar de remar também."

"Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo."

"E recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência. É por isso que me esquivo e deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam - e queimar também destrói."


"Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez."



"Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo."
Frágil
...você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.


Caio Fernando Abreu