
Em busca de palavras que possam romper os dias.Palavras de todos os jeitos.Meus amigos cheguem mais perto...Fiquem à vontade.Que as palavras nos encontrem!
25 de abr. de 2009
18 de abr. de 2009
10 de abr. de 2009

por Luis Fernando Veríssimo
Encosto ou não encosto? Só o joelho. O que pode acontecer? Ela dizer “Mr. Lula, please!” Aí eu recolho o joelho, peço desculpas, “aimsórri, aimsórri” e pronto. Se eu soubesse falar inglês, explicaria. Sabe o que é, Elizabeth? Eu estava aqui pensando: quando é que, lá em Pernambuco, eu ia imaginar que um dia estaria sentado ao lado da rainha da Inglaterra? Não sei quem é que me botou aqui para tirar esta fotografia dos G-20. Não acho que tenha sido um pedido seu, “Quero o bonitinho de barba à minha esquerda”. Claro que não. Mas o fato é que estou aqui e o Barack está aí atrás em algum lugar, de pé e se perguntando o que eu tenho que ele não tem. O Sarkozy não deve nem estar aparecendo. Ficou atrás da Merkel e não vai sair na foto. E eu aqui ao seu lado, na primeira fila. Isto significa muito, viu Elizabeth?
Lá na minha terra vai ter gente se mordendo de raiva. Onde já se viu, aquele retirante nordestino que nem fala direito sentado à esquerda da Rainha da Inglaterra? Quando eu me elegi muita gente ficou horrorizada: como é que vai ser quando ele, um torneiro mecânico, tiver que nos representar num jantar oferecido, por exemplo, pela coroa inglesa? Vai ser servido na cozinha, para não dar vexame na escolha dos talheres. E aqui estou eu, sentado ao lado - com todo o respeito - da coroa inglesa em pessoa.
Se foi o protocolo que me botou aqui, ele acertou, viu Beth? Você, queira ou não, não é só a rainha dos ingleses, é, simbolicamente, a rainha de todos os loiros de olhos azuis do mundo, incluindo o Barack. De todos os bandidos que causaram esta crise e hoje nos infernizam a vida. E, de certo modo, eu sou o seu oposto. Sou uma espécie de rei republicano dos não loiros do mundo - ou pelo menos deve ter sido essa a ideia do protocolo aos nos botar lado a lado. Todos os outros chefes de estado desta fotografia seriam dispensáveis. A foto poderia ser só de nós dois e estariam todos representados.
E isto significa outra coisa também, viu, Beth? Eu não me contentei em ter nascido na miséria, no Nordeste, e quis mais. Não me contentei em ser um torneiro mecânico em São Paulo e quis mais. Não me contentei em ser um líder sindical e quis mais. Não me contentei em perder eleição atrás de eleição, insisti e acabei presidente.
Agora estou aqui, lado a lado com a Rainha da Inglaterra, num dos pontos mais altos da minha carreira, e também quero mais. Por isso, minha perna se moveu e meu joelho encostou no seu. De certa forma, o movimento da minha perna foi o passo final da caminhada que começou em Pernambuco, tantos anos atrás. Já que, ao contrário de você, Beth, não posso ficar no poder para sempre.
Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
Mário Quintana
Teus poemas, não os dates nunca... Um poema
Não pertence ao Tempo... Em seu país estranho,
Se existe hora, é sempre a hora estrema
Quando o anjo Azrael nos estende ao sedento
Lábio o cálice inextinguível...
Um poema é de sempre, Poeta:
O que tu fazes hoje é o mesmo poema
Que fizeste em menino,
É o mesmo que,
Depois que tu te fores,
Alguém lerá baixinho e comovidamente,
A vivê-lo de novo...
A esse alguém,
Que talvez ainda nem tenha nascido,
Dedica, pois, os teus poemas.
Não os dates, porém:
As almas não entendem disso...
Mário Quintana
30 de mar. de 2009

Quero você se gostares da simplicidade
Posso lhe oferecer meus sorrisos, risadinhas e gargalhadas
Sempre que ouvir uma piada sua
Mesmo que ela seja sem graça
Mas repito, quero que se interesse por mim
Se a favor da simplicidade for
Não sou destas que lhe contará as centenas de leituras que fiz
Ou as loucuras que cometi
Nem tampouco te farei impressionado
Com histórias da vida
Mas eu serei terna ao lhe dar as mãos
Beijarei você com o meu e o seu desejo
Com você vou adormecer plena de amor
Mas não me esforçarei
Para ser tua musa
Nem mulher que te deslumbra
Apenas serei alma transparente,
Ficarei, voltarei a olhar da sua janela
Mas só enquanto me quiser
Simples, assim
29 de mar. de 2009
22 de mar. de 2009
Deu saudade das poesias que fiz lá atrás... Cá estão, algumas das preferidas:
Prima Vera
...quando eu precisar...volto pra cá mas agora... é primavera em meu coração.
Não posso ficarPreciso voar..."Inverno pro cês porque eu encontrei a Prima Vera!
Quem é ela?
Lembranças da infância eu escuto
Todos os seus nomes, jeitos, sons e silêncios
Cheiro pai, cheiro pai
Morena de angola
Sandra Rosa Madalena
Ichiúca
Não, não
você não vai entender
Só nós.
Duas meninas – eu e ela
Uma delas minha irmã.
Olhos de jabuticaba, sorriso de mulher
Gargalhada de menina
Cabelo de índia, pele branca feito neve
Coração de mãe.
Passos certeiros, dança com alegria
Chora os guardados da vida
Levanta e sempre sacode a poeira
Ela é guerreira.
É a minha menininha que me ama
Eu a amo também
Minha irmã, companheira de vida
Tão longe tão perto.
Andressa, escuta aí
A nossa infância. Tá ouvindo?
Bicicleta, pular corda, esconde esconde, brincar de bicho,
de cabana, de bonecas, de rolimã, de teatro, de roda e
de amigas.
Pra sempre no coração.
Te amo, irmã.
Pra quando o inverno chegar...
Agora é hora
Vamo s'imbora
Outono chega
Pra fazer e desfazer
o que tá feito
e desfeito
Vamos s'imbora
Outono chega
pra morrer
e renascer
o que fui
no que sou
Agora é hora.
Deixe-me ir
Antes que a magia se acabe
Ilusão você se torne
Prefiro partir
Pra te reencontrar
Tem data marcada
Como uma promessa
O destino se cumprirá
Na música, na alegria, no sol, no mar,
nas estrelas, no luar e
nas cirandas
Eu e você
Assim será.
Lista das coisas que preciso fazer:
Me embalar na rede a tarde inteira.Olhar a lua todas as noites durante a semana.Pisar descalço na grama logo que amanheço.Esquentar a alma no calor do sol.Abraçar demorado quem estiver ao meu lado.Respirar profundo pra sentir o meu/teu coração. Adormecer e sonhar que assim seja: me embalar na rede a tarde inteira.olhar a lua todas as noites durante a semana.Pisar descalço na grama logo que amanheço.Esquentar a alma no calor do sol.Abraçar demorado quem estiver ao meu lado.Respirar profundo pra sentir o meu/teu coração. Adormecer e sonhar ...
Aqui dentro.
Caminhos desavisados atropelam o meu caminho
Já incerto em passos certeiros do passado
Sonhado.
Ruínas avisadas rasgam o meu coração
Tão cansado em batidas sonhadas no passado
Acabado
Certezas espiadas caminham o meu caminho
Inseguro e firme nos pés que vem do passado
Acalentado.
ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA
Eu declaro.
De hoje em diante
Não haverá mais culpa
Não haverá mais perfeição
Não haverá mais regras do “bem viver”
Nem explicações sobre as minhas regras.
Está declarado, então
A abolição de tudo que aprisiona, julga, sufoca, maltrata....
De tudo o que não flui, que nada contra a maré
Da minha alma...
Finda a escravatura.
Daquilo que guardei sem saber por que
Ao me desfazer descobri o que me impedia
De voar.
Essa tal liberdade
Hoje ela veio
Logo que acordei
A sensação de estar possuída
Por esta tão enlouquecida senhora
Essa tal liberdade
Ela já vinha me avisando
Que chegaria
Só quando eu estivesse preparada
Essa tal liberdade
“Confia e me usufrua”
Ela me disse.
E lá vou eu viver corajosamente esta aventura
Essa tal liberdade
Vem pra quem sabe
Que em lugar algum vamos chegar
Apenas sejamos...
...essa tal liberdade
Todos os dias da nossa vida
Andando e desamarrando
Pra ser ela, só ela
Essa tal liberdade.
Enquanto isso, vá morrendo...
Assim meio assim...Nó na garganta logo ao amanhecer, o aperto no peito e o sorriso da conveniência no rosto. A noite, o alívio do choro sentido. Outro dia começa e tudo de novo. A moça triste já não sabe o que foi feito dela. Olha para dentro e só o que encontra são seus fantasmas. Pra fora, tanta gente tão perdida, apressada, atônita e sem respostas. Vai esperar ...quem sabe o casulo se abre e ela entende um dia que tudo foi feito assim, meio assim pra ela descobrir que a vida é assim....morrer e nascer a todo momento... Mais forte e os olhos brilhando bem forte de novo. Sorriso franco e aberto. Um dia esse dia, moça triste, de novo chegará....Enquanto isso, vá morrendo pra nascer de novo.
POR TODA UMA VIDA...
Eu vi nos olhos deles
A espera
A resignação
E a consciência
Que não há nada mais para se perder
Que a vida se finda a cada final do dia
A alegria de estar junto
Reviver
Os anos
Bem vividos
Em silêncio, cruzam os olhares
Na velhice e no amor que os une
Já pedi, já rezei, já implorei
A todos
Os santos
Que eles possam ficar
Para ainda embalar os meus sonhos
Eternamente em minha vida
Por que
É deles
A minha
história vivida
E o meu maior sofrer é não saber
Escrever o ponto final de todas as nossas histórias
autoria:anacarolinacaldas
Dedicada para as duas pessoas que eu mais amo nesse mundo...
15 de mar. de 2009
Eu decidi
Não será fácil
Driblar a ansiedade
Principalmente essa mania de andar rápido
Tenho que lembrar que é
Devagar que se anda
Dar passo a passo
O importante é o movimento
Para se chegar lá
E é lá que eu quero ir.
Não quero mais ficar aqui.
Por enquanto vou ficando...
Com os olhos, coração e mente
Lá.
Aguardo os próximos dias
Pois eu sei
Milagres pequenos, bem pequenos
Irão acontecer.
Vão me dizer
Pra que lado
Devo ir
Pra chegar
Lá.
11 de fev. de 2009
A morte é o grande mistério da vida
Não há explicação.
Só o mistério.
Para os que ficam.
Porém, a morte ensina
Nos dá lições
Reinicia a nossa vida
Com outro olhar
Ao amigo que se foi
Desejo que ouça sempre
O eco das nossas risadas
Além das trocas de amor incondicionais
O caminho continua
Nós aqui e você por aí
Um dia, tenho certeza
Desvendaremos o mistério
A morte deixa saudade e tristeza
A vida que vivemos
Seja como for
Te colocará sempre entre nós
O mistério da vida
É saber da morte tirar boas lições
Rever os laços de afeto
Amá-los sempre como se não houvesse amanhã
Dedico ao meu querido Breno

