15 de mar. de 2008

Essa tal liberdade


Hoje ela veio
Logo que acordei
A sensação de estar possuída
Por esta tão enlouquecida senhora


Essa tal liberdade
Ela já vinha me avisando
Que chegaria
Só quando eu estivesse preparada


Essa tal liberdade
“Confia e me usufrua”
Ela me disse.
E lá vou eu viver corajosamente esta aventura


Essa tal liberdade
Vem pra quem sabe
Que em lugar algum vamos chegar
Apenas sejamos...


...essa tal liberdade
Todos os dias da nossa vida
Andando e desamarrando
Pra ser ela, só ela


Essa tal liberdade.


autoria:anacarolinacaldas

22 de fev. de 2008


Queridos Amigos.... O que foi feito da gente?


O nome não poderia ser mais apropriado para que de imediato eu relembrasse quem são estes, queridos amigos. Amigos que a política uniu. Se aos olhos alheios a união, a simbiose se justificava pelos ideais revolucionários, na intimidade dos olhos dos queridos amigos sabiam por que estavam lá... A série televisiva (atualmente veiculada na Rede Globo) escrita pela autora Maria Adelaide Amaral, que se utiliza de partes da história real, tem me feito pensar neles: Meus Queridos Amigos.

Na série, são amigos que na época da ditadura, ainda jovens se encontraram... Abro um parênteses para fazer minhas as explicações de Frei Beto sobre os encontros que temos e só o “destino” sabe que daquele momento uma história começa. Em seu livro Mosca Azul, ele dá esta explicação sobre o seu 1º contato com Lula:


“Há encontros fortuitos que tecem laços indeléveis. Ocorrem aos amantes, ao viajante que num porto depara-se com a grande oportunidade da sua vida; aqueles que se sentem premiados pela sorte porque por acaso, se achavam ali naquele dia e naquela hora e conheceram aquela pessoa.” (Frei Beto).


Lembrei dos queridos amigos que eu encontrei e que os nossos laços de afeto escondíamos sob o pretexto da política, da transformação social e da eleição da esperança.... Sob o pretexto das uniões, dos debates, do trabalho duro e incansável, estávamos juntos selando muito mais que os nossos planos para o país... selávamos laços de afeto, de amor, de querer bem. A força que move alguém na política é sempre a utopia. A utopia, pensando bem, foi uma confluência do destino para que nos encontrássemos e uníssemos os nossos medos, nossos sonhos e principalmente nosso acalento..


“A confluência é um dos predicados do destino. Em algum ponto movido por circunstâncias inesperadas, imprevisíveis, duas pessoas se encontram e a partir dali assumem uma trajetória comum. Um bar, uma festa, uma reunião, uma festa. Nenhum indício de que seus caminhos futuros haverão de se cruzar. É a lei da indeterminação, esse acaso que a fé chama de desígnio diverso, a astrologia decifra no movimento dos astros, os mais otimistas qualificam de sorte.” (Frei Beto).



No Movimento Estudantil, no partido, nos lugares em que trabalhei encontrei muitos destes queridos amigos... E hoje, quando a minha utopia igual a cantada por Milton Nascimento “Quero a alegria muita gente feliz,quero que a justiça reine em meu país..”, continua fazendo seus movimentos no meu coração, porém de forma mais realista (ou madura, talvez?), mais “nua e crua” e menos apaixonada.... eu me pergunto “o que foi feito da gente?”. Eu ainda os encontro. Muitos deles percorrem os mesmos caminhos que eu, outros nos esbarramos pelas esquinas e ainda outros sumiram....


Um dos trechos da série retrata a sensação que os Queridos Amigos tinham no passado de ser uma grande família. Por muitas vezes eu estive nestas famílias. Essa coisa de viver só pra gente, não desgrudar um só minuto, viver junto quase 24 horas por dia. Tudo pela Revolução!!!! Não.... era tudo pelo amor e um amor talvez contraditório aos princípios socialistas. Um amor egoísta de querer todo mundo sempre e pro resto da vida só pra gente. E estes amigos (os da televisão) percebem que é possível se reunir e unir-se novamente, pois são laços, como disse Frei Beto, indeléveis. Mas já não existe aquilo que os fazia mascarar o que tentavam esconder. Já não existe a utopia da Revolução e somente eles, realmente eles com suas realidades sem ilusões, suas realidades internas desmascaradas.


Enfim A Vida como ela é. O que foi feito da gente? Pra mim, uma utopia foi conquistada e rápido demais foi “desmascarada”. Ou melhor, sonhamos um sonho que não saiu do jeito que imaginávamos. Mas o que resta disso tudo? Resta o que é de verdade e que só cabe a nós. O amor e a amizade uns pelos outros. Resta sempre uma cerveja no boteco, um abraço forte e demorado, as conversas nostálgicas e por fim tentar esquecer a vida nua e crua que a gente anda vivendo. Vida muitas vezes confortável, fácil, mas sem a pitada dos sonhos sonhados todos os dias, juntos. A cada troca de olhar destes nossos encontros, a gente sabe que tá faltando alguma coisa....

"Quero a liberdade, quero o vinho e o pão, quero ser amizade, quero amor, prazer..quero nossa cidade sempre ensolarada.."

Mas eu desejo que cada um de nós carregue no peito a alegria dos encontros, os nossos laços eternos de amizade, e que as utopias- as pequenas (pra ser mais realista, agora) sejam diariamente renovadas. Eu desejo que nossas lembranças de vez em quando retornem, nos deèm mais garra nessa vida, que nos façam sorrir e que a gente se lembre da gente sempre "sem perder a ternura".
Nada será como antes...
Eu já estou com o pé na estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

15 de fev. de 2008

Meio-a-meio


Revolucionário de meia-tigela, desistiu de mudar o mundo com um projeto religioso.Desportista de meio-preparo, o medo do cansaço o segurou no vestiário.Namorado de meia-trepada, confundiu preliminares com falta de ares, atrapalhou-se com os botões e acabou-se em borbotões.E de metade em metade, viveu meios processos e resultados vazios. Mal saía, desistia de chegar.Buscou muitos encantos, encontrou poucas certezas: meio macho, meio frouxo, viveu meio perdido, se achou meio encontrado.Por fim, ficou louco no meio da rua querendo um meio de desempatar.Sem devaneio ou galanteio, perdeu o jogo no recreio e não saiu do meio-a-meio.

10 de fev. de 2008

PÁGINA VIRADA


Um dia o acaso colocou dois destinos frente a frente.
Nenhum dos dois sabia se aquilo era um começo
Quando já estavam no meio, souberam.
O fim nunca foi sequer esperado

Mas o acaso se perdeu
Os dois destinos também perdidos
Por não saberem mais o que fazer
Com aquele começo...
Pareciam a todo instante
Criar o fim.

Mas eram destinos...
Sempre destinos
Destinados a que?
Para ela, o amor
Para ele, ela não sabe.

Ela então, cansada
De criar novos começos
E novos finais (in)felizes
Desatou o nó.

Foi viver o seu inicio, meio e fim
Ela tinha esquecido que vivia uma história
Sua, toda sua
E ele?
....

Para ele, ela deseja
Históras felizes.
Agora, sem a sua companhia.
E ela?
....


Desfez todos os roteiros dos fins que se repetiam
Releu com carinho todos os capitulos da história
Do acaso e dos dois destinos
Chorou pela última vez
E prometeu:

"As próximas histórias terão traços leves, cores fortes e intensas, serão escritas em letras sinceras, amorosas e serenas. As páginas serão viradas sempre com a sensação da plenitude no coração. E a cada dia, o fim será apenas um abraço demorado, um beijo apaixonado e um adormecer de dois destinos que sabem a que se destinam: ao amor correspondido."


autoria: anacarolinacaldas

21 de jan. de 2008

E a revolução?


Sempre foi nostálgico. Os amigos de adolescência, a família e seus predicados, os brinquedos da infância, todas as namoradas, a tia do interior, a vó já falecida, o gosto por goiabada. Tudo era motivo de grandes saudades e alguma ferida.

Passeando na Paulista, encontrou um amigo dos tempos de juventude. Contaram histórias, lembraram dos sonhos e seguiram seus caminhos. Voltou pra casa lembrando-se de uma pergunta depositada no vazio: “você ainda quer mudar o mundo?”

Caminhou cabisbaixo. Lembrou do amor pela revolução cubana e das manifestações na praça central. Chorou. Parou na farmácia, tomou um antidepressivo e foi ao cinema.





de GLAUBER PIVA - www.glauberpiva.blogspot.com

20 de jan. de 2008


ESTAR NO PONTO.....



Uma fruta madura é quando ela está pronta para ser consumida ou “cumprir a sua missão¨ que é o de alimentar. Está no ponto. “Está maduro”, “maturou”... "Maturidade."



Tão simples nos parece. O processo de maturação da fruta já sabemos. O nosso biologicamente também já o sabemos. Porém a maturidade emocional, psicológica que é a travada nas andanças da vida... pra cada um, chega diferente. Portanto, cada um de nós vai saber "quando se está no ponto". Pra mim, a maturidade chega quando percebemos que estamos prontos para cumprir nossa missão. Ou, para fugir do significado esotérico da coisa, quando definimos o que desejamos como missão em nossa vida (que pode ser inclusive o de não ter missão alguma). Inventar pequenas missões apenas para que elas me levem a caminhar, caminhar e caminhar é a minha missão.




O ponto de partida e chegada é o mesmo sempre: minha alma mais leve, mais corajosa, mais desapegada, mais espiritual do que material. Estou no ponto, então!!! No ponto para caminhar mais leve....




Somos caminhantes de lugar algum. Somos caminhantes de nós mesmos...Até a hora que contraditoriamente a Maturidade "se apodera" da gente no melhor sentido... quando estamos prontos para nos abandonar e construir pontes para a alma do outro, dos outros...A fruta madura que foi cuidada, protegida e guardada....se desfaz para cumprir a sua missão: se doa, alimenta, se liberta...



Com a alma mais leve....a gente aprende a rir de si mesmo, a se abrir para o mundo, a se resignar nas tempestades, a não querer provar nada para ninguém, a perdoar e recomeçar quantas vezes forem necessárias. Afinal são só caminhos...Apenas caminhar e abrir-se ao mundo e aos outros.


Centrar-se nas pequenas missões possibilita o acaso, o não compreendido, o não planejado, os milagres e muitas vezes a reviravolta para uma nova grande missão...Possibilita a paz de espírito que é o grande sinal que estamos no ponto para alimentar a vida...



anacarolinacaldas

11 de jan. de 2008

"Quanto mais ando, querendo pessoas, parece que entro mais no sozinho do vago..." - (...). Eu tinha culpa de tudo, na minha vida, e não sabia como não ter. Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo; (...) E eu nem sabia mais o montante que queria, nem aonde eu extenso ia.


joão guimarães rosa

4 de jan. de 2008

O SEGREDO


Eu descobri ! Descobri o que me angustia, eu descobri o caminho que desejo trilhar pro resto da vida...mesmo que penoso seja. Porém mais penoso é o caminho errado – esse que nos afasta da nossa essência, da nossa alma...Uma vez li ou escutei que a angústia é o sinal que a nossa alma sente-se aprisionada e grita por liberdade.

Sim, a Liberdade. Eu a desejo como caminho pra sempre daqui pra frente.

Aos poucos cheguei a esta conclusão. Assim é que as grandes descobertas acontecem...depois de muita cabeçada, sofrimento, ilusões.

Já experimentei outro caminhos e só por causa deles é que pude compreender o que não desejo mais. Só podemos saber o que não queremos, sem fazer julgamento leviano, quando experienciamos...Já vivi a ilusão das vaidades, do poder, da arrogância, da onipotência e da falsa humildade. Já me vi sem brilho por viver as regras e crenças de outros. Já me vi “engolindo” traição, desonestidade e falsidade por desejar me prender a uma “certa estabilidade”. Já me vi deprimida, triste, arrependida, desanimada por não ter forças pra tirar máscaras ou tornar-me mais realista frente a tanta prisão do mundo ilusório.
Já me vi quase desistindo disso tudo.

Só quando me vi sozinha frente a todas estas conclusões é que percebi que é isso mesmo: Você pode estar todos os dias no meio de uma multidão mas a decisão é sua: ou fica misturada pra sempre nela(na multidão) sem saber quem é, ou pula fora desse barco muitas vezes colorido, poderoso, vaidoso....cheio de promessas tentadoras que te seguram pra não sair. Promessas que perfuram o teu ser, se impregnam na tua alma e te adoecem a longo prazo ou te prendem pro resto da vida.

Vi que ainda dá tempo pra eu me despir e abandonar de vez as promessas tentadoras e seguir novo caminho, o que vai me levar até quem sou, vai me levar até aos poucos e verdadeiros amigos que se identificarão com “minhas vestes sem brilho, meu pouco poder e minhas mãos vazias”, porém com a minha alma leve, limpa e verdadeira.

Quero a liberdade pra acreditar no que os meus olhos vêem, meu coração sente e nunca mais serei guiada por “seitas” ou gente que vive lá no meio da multidão. Quero a liberdade pra conversar horas e horas com os meus amores, aqueles que tenho liberdade de escolher a quem eu abraçarei apertado e darei beijos infinitos.Quero a liberdade para encontrar um amor tranqüilo. Quero a liberdade para viver com minhas próprias regras. Quero a liberdade que me liberta das prisões da ilusão. Quero a liberdade para passear pela minha cidade. Quero a liberdade para de fato ser mulher, sem defesas. Quero a liberdade para enfim, viver com a consciência tranqüila.

A batalha vai ser árdua, pois o mundo todo é contra essa tal liberdade que poucos se arriscam a tomá-la como sua. Mas eu vou lutar pois é direito meu!

E Viva a Liberdade!!!!!!

Esse é o meu desejo de 2008... Vamos nos libertar...
autoria:anacarolinacaldas
Tempos Modernos
Eu vejo a vida
Melhor no futuro
Eu vejo isso
Por cima de um muro
De hipocrisia
Que insiste
Em nos rodear...
Eu vejo a vida
Mais clara e farta
Repleta de toda
Satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão...
Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...
Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não, não, não...
Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...
Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...
Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não...
Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há prá viver
Vamos nos permitir...
Lulu Santos

28 de dez. de 2007

Fim.


Foi sempre assim
Mas sempre acreditou
Um dia isso ia ter um fim
E logo um novo começo
Do jeito que por várias vezes
Tinha sonhado

Desta vez parou de acreditar
E o sonho se fez pranto
O novo começo mais uma
Vez não veio
E parou de acreditar
Pediu apenas
Que apagassem as luzes


Queria dormir
Pra não enxergar mais
Os sonhos que tinha sonhado




autoria:anacarolinacaldas

16 de dez. de 2007

Para 2008:

Minha primeira e mais importante promessa é abandonar aquele que me faz ter medo das coisas, das aventuras, das decisões. Abandonar este que me fez ver nas pessoas (por causa dele) coisas muito ruins. Abandonar essa trava nos meus olhos. Abandonar isso que contamina e enferruja o coração. Abandoná-lo e criar novas “regras” de vida. Só minhas e ninguém tem nada a ver com isso. Vou abandonar-te pra nunca mais me abandonar. Vou indo bem pra longe de você porque não quero mais ser ninguém destes personagens que você insistiu que eu tentasse ser pra te alimentar. Eu quero não ser para apenas viver. Mais leve. To indo sem você:Ego.
autoria:anacarolinacaldas