6 de nov. de 2010

Na pele do silêncio

E era assim

Ela dizia: não, eu sinto na pele. Você não gosta de mim

Ele dizia: eu gosto, mas não sinto na pele

Ela chorou rios de lágrimas

Ele bebeu todas elas

Uma por uma

Ela bateu o pé e pediu por amor

Ele bateu palmas e pediu silêncio

..........

Ela emudeceu e sumiu

Ele? Nunca mais a viu...

..........

Psiu,

silêncio.

5 de nov. de 2010

A favor da felicidade “borboleta”

Na era das pílulas da felicidade imediata, das drogas da alegria e das fugas de realidade, não há permissão para a tristeza. Alguém já disse que o grande mal da busca imediata, desenfreada e mascarada da felicidade é não ter o direito de ficar triste. O grande “barato” é ser o Bozo todos os dias! “Sempre rir, sempre rir”... Há um engano que ao dizer sim para as feridas você estará com passagem comprada a uma “bad trip”... Muito pelo contrário. Dizer sim ao que dói e está latente é corajoso e faz com que a cura aconteça de verdade. E quanto mais sim, mais resignada aceitação, inacreditavelmente mais a dor diminui. E vem à tona a real felicidade que é muito diferente da alegria barulhenta: é a paz de espírito que toma conta da gente quando ao descer no fundo da alma buscamos nossa criança perdida na infância, a nossa identidade e a descoberta das nossas “essências” guardadas. “Aquilo de querer A tal da alegria e a dor de ser exatamente quem somos... Com uma pitada a mais de coragem, força e clareza. E a vida segue assim como a viagem da borboleta saída do casulo.......

28 de out. de 2010


LAÇO

Existia um laço.

Colorido.

Que se afrouxava para trazer leveza

Porém como faz parte da vida

Apertava quando rompia-se a sintonia

Do laço bonito que trouxe o élan que nos conduzia

Agora este nó na garganta...

A vida sempre ensina.

Este nó difícil de ser desfeito é para que

A cada cruzamento desfeito

Um sofrimento cicatrize

Uma reflexão seja compreendida

E os insights cheguem

Para que estejamos de novo

Nas mãos com a fita colorida

Para trocar com a vida

E assim recomeçamos

A fazer o laço novamente...

22 de out. de 2010

Viagem

Eu vou nessa

Viagem só de ida

Afinal, o amor não tem pressa

Ele pode esperar

Toda a vida

19 de out. de 2010


Nó na garganta

Ela dedilhou palavras sentimentais

Com cuidado para não acordar o que adormecia

As letras eram cuidadosamente lapidadas

Devagar foi dizendo o que sua cabeça não entendia

Contou que as batidas do coração estavam apressadas demais

E ela tinha medo.

E pediu do moço, com ternura, apenas uma ajuda:

- Me ajude a entender.

E suplicou:

- Por favor, me ajude desatar o nó na garganta...

Um silêncio, ele estava a pensar

Pensou ela.

Que aguardava uma resposta com os seus olhos cheios d’água

Inesperadamente, ele respondeu:

- Ai que preguiça...! Mude o rumo desta prosa!

Na hora, o barulho ensurdecedor do desamor soou feito raio e trovão

E a moça que aguardava apenas uma ajuda..

ouviu gritar fundo o silêncio!

Sufocou as dúvidas, escondeu os sentimentos, amarrou ainda mais o nó.

Para evitar que nenhum amor mais saísse de lá.

E chorou a noite inteira

Até o sonho virar mar...e levar

Pra lá todas as mágoas do seu coração

Que não teve culpa

De amar.

17 de out. de 2010


Quero?

Bem me quer, mal me quer

Bem me quer, mal me quer

Bem, me quer?

Me quer mal?

Quer? Se não me queres

Quero bem mal me quer

Mal quer o bem que lhe quero

Quero quero!

Não quero mais.

25 de set. de 2010

Amorcalada
Cansada, a menina desacreditada no amor
um dia encantada com a
sua imagem iluminada no espelho
fez as malas e foi embora
Sem dizer nada.
Absolutamente nada.
Sem deixar rastros da ilusão
de ter sido amada.

21 de set. de 2010


Poeminha pra me despedir
O que era doce se acabou
E agora?
Vestir roupas novas
E se lambuzar com
a vida de novo.
Tudo de novo
Assim que é.
Acabou?
Começa outra vez
Machucou?
Levanta de vez!
Ih! Esqueci
Tchau para você
Que ficou
Lá no fundo
Do meu coração.

15 de set. de 2010

Noite de Sol
Hoje vi o dia amanhecer
Quem mandou o dia amanhecer?
Se era à noite
Que o meu sol brilhava...

8 de set. de 2010

Como nunca
E se eu fosse embora
Assim de mansinho
Deixaria a porta aberta da cozinha
Como sempre
E como nunca
Iria embora
Antes, é claro,
Olharia pela janela
Meu lugar preferido
Respiraria fundo
E pé ante pé
Espiaria você
Dormindo
Como sempre
Lindo...

Eu juro, seguraria
o choro
Jogaria de longe
O último beijo
E como nunca
Iria embora

Ps:
Te prometo
Vou me esconder
Você não vai me achar
Como sempre
Você não vai me procurar
.