29 de mar. de 2009

Distantes, porém íntimos.
"Da distância, o mais íntimo
Da intimidade, o que lhe é mais distante
Minutos antes almas cruzadas
Sol nasce, dia começa
Não há mais nada que os faça ter sentido
São desconhecidos
Almas se desfazem
Minutos depois"

22 de mar. de 2009

Reeditando o passado.




Deu saudade das poesias que fiz lá atrás... Cá estão, algumas das preferidas:

Prima Vera


...quando eu precisar...volto pra cá mas agora... é primavera em meu coração.
Não posso ficarPreciso voar..."Inverno pro cês porque eu encontrei a Prima Vera!



Quem é ela?

Lembranças da infância eu escuto
Todos os seus nomes, jeitos, sons e silêncios
Cheiro pai, cheiro pai
Morena de angola
Sandra Rosa Madalena
Ichiúca

Não, não
você não vai entender
Só nós.
Duas meninas – eu e ela
Uma delas minha irmã.

Olhos de jabuticaba, sorriso de mulher
Gargalhada de menina
Cabelo de índia, pele branca feito neve
Coração de mãe.

Passos certeiros, dança com alegria
Chora os guardados da vida
Levanta e sempre sacode a poeira
Ela é guerreira.

É a minha menininha que me ama
Eu a amo também
Minha irmã, companheira de vida
Tão longe tão perto.

Andressa, escuta aí
A nossa infância. Tá ouvindo?
Bicicleta, pular corda, esconde esconde, brincar de bicho,
de cabana, de bonecas, de rolimã, de teatro, de roda e

de amigas.

Pra sempre no coração.
Te amo, irmã.



Pra quando o inverno chegar...

Agora é hora
Vamo s'imbora
Outono chega
Pra fazer e desfazer
o que tá feito
e desfeito

Vamos s'imbora
Outono chega
pra morrer
e renascer
o que fui
no que sou

Agora é hora.







Deixe-me ir

Antes que a magia se acabe
Ilusão você se torne
Prefiro partir
Pra te reencontrar

Tem data marcada
Como uma promessa
O destino se cumprirá

Na música, na alegria, no sol, no mar,
nas estrelas, no luar e
nas cirandas
Eu e você

Assim será.




Lista das coisas que preciso fazer:

Me embalar na rede a tarde inteira.Olhar a lua todas as noites durante a semana.Pisar descalço na grama logo que amanheço.Esquentar a alma no calor do sol.Abraçar demorado quem estiver ao meu lado.Respirar profundo pra sentir o meu/teu coração. Adormecer e sonhar que assim seja: me embalar na rede a tarde inteira.olhar a lua todas as noites durante a semana.Pisar descalço na grama logo que amanheço.Esquentar a alma no calor do sol.Abraçar demorado quem estiver ao meu lado.Respirar profundo pra sentir o meu/teu coração. Adormecer e sonhar ...




Aqui dentro.


Caminhos desavisados atropelam o meu caminho
Já incerto em passos certeiros do passado
Sonhado.

Ruínas avisadas rasgam o meu coração
Tão cansado em batidas sonhadas no passado
Acabado

Certezas espiadas caminham o meu caminho
Inseguro e firme nos pés que vem do passado
Acalentado.




ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA


Eu declaro.
De hoje em diante
Não haverá mais culpa
Não haverá mais perfeição
Não haverá mais regras do “bem viver”
Nem explicações sobre as minhas regras.


Está declarado, então
A abolição de tudo que aprisiona, julga, sufoca, maltrata....
De tudo o que não flui, que nada contra a maré
Da minha alma...


Finda a escravatura.
Daquilo que guardei sem saber por que
Ao me desfazer descobri o que me impedia
De voar.




Essa tal liberdade




Hoje ela veio
Logo que acordei
A sensação de estar possuída
Por esta tão enlouquecida senhora



Essa tal liberdade
Ela já vinha me avisando
Que chegaria
Só quando eu estivesse preparada


Essa tal liberdade
“Confia e me usufrua”
Ela me disse.
E lá vou eu viver corajosamente esta aventura



Essa tal liberdade
Vem pra quem sabe
Que em lugar algum vamos chegar
Apenas sejamos...



...essa tal liberdade
Todos os dias da nossa vida
Andando e desamarrando
Pra ser ela, só ela



Essa tal liberdade.




Enquanto isso, vá morrendo...


Assim meio assim...Nó na garganta logo ao amanhecer, o aperto no peito e o sorriso da conveniência no rosto. A noite, o alívio do choro sentido. Outro dia começa e tudo de novo. A moça triste já não sabe o que foi feito dela. Olha para dentro e só o que encontra são seus fantasmas. Pra fora, tanta gente tão perdida, apressada, atônita e sem respostas. Vai esperar ...quem sabe o casulo se abre e ela entende um dia que tudo foi feito assim, meio assim pra ela descobrir que a vida é assim....morrer e nascer a todo momento... Mais forte e os olhos brilhando bem forte de novo. Sorriso franco e aberto. Um dia esse dia, moça triste, de novo chegará....Enquanto isso, vá morrendo pra nascer de novo.


POR TODA UMA VIDA...

Eu vi nos olhos deles
A espera
A resignação
E a consciência

Que não há nada mais para se perder
Que a vida se finda a cada final do dia

A alegria de estar junto
Reviver
Os anos
Bem vividos

Em silêncio, cruzam os olhares
Na velhice e no amor que os une

Já pedi, já rezei, já implorei
A todos
Os santos
Que eles possam ficar

Para ainda embalar os meus sonhos
Eternamente em minha vida

Por que
É deles
A minha
história vivida

E o meu maior sofrer é não saber
Escrever o ponto final de todas as nossas histórias


autoria:anacarolinacaldas
Dedicada para as duas pessoas que eu mais amo nesse mundo...

15 de mar. de 2009




Eu decidi
Não será fácil
Driblar a ansiedade
Principalmente essa mania de andar rápido
Tenho que lembrar que é
Devagar que se anda
Dar passo a passo
O importante é o movimento
Para se chegar lá
E é lá que eu quero ir.
Não quero mais ficar aqui.
Por enquanto vou ficando...
Com os olhos, coração e mente
Lá.
Aguardo os próximos dias
Pois eu sei
Milagres pequenos, bem pequenos
Irão acontecer.
Vão me dizer
Pra que lado
Devo ir
Pra chegar
Lá.

11 de fev. de 2009

Mistério da Vida


A morte é o grande mistério da vida
Não há explicação.
Só o mistério.
Para os que ficam.

Porém, a morte ensina
Nos dá lições
Reinicia a nossa vida
Com outro olhar

Ao amigo que se foi
Desejo que ouça sempre
O eco das nossas risadas
Além das trocas de amor incondicionais

O caminho continua
Nós aqui e você por aí
Um dia, tenho certeza
Desvendaremos o mistério

A morte deixa saudade e tristeza
A vida que vivemos
Seja como for
Te colocará sempre entre nós

O mistério da vida
É saber da morte tirar boas lições
Rever os laços de afeto
Amá-los sempre como se não houvesse amanhã


Dedico ao meu querido Breno

9 de fev. de 2009


Meu amigo Breno, pra sempre no meu coração

Hoje quando recebi a notícia da “sua partida” me doeu tanto em pensar que eu podia ter me esforçado mais. Mais pra gente se encontrar, pra gente não ter se afastado. Afinal, sempre soube
do carinho que você sempre teve por mim. E eu, tanto por vc. Hoje fui pra lá, há dez anos atrás e me lembrei de vc...

Vc era meu anjinho protetor, que me cuidava com teu olhar sempre vigilante na minha vida. Teu sorriso aberto, cheio de vida que nossos dias de convivência se tornavam os melhores! Meua amigo sincero, intenso, coerente, honesto, vibrante. Meu amigo brincalhão. Meu amigo tão querido, sempre...Se um dia alguém quiser compreender o que é amigo. É você, Breno.



Me perdoa pela ausência. Mas eu sei que vc sabia o quanto eu sentia tua falta. Você me falou nas últimas vezes pela internet que sabia da nossa amizade, apesar da ausência. Sabe...aquelas conversas foram tão importantes pra mim. Afinal, fazia tempo que a gente não conversava. Em poucos minutos você me deu conselhos, torceu por mim e me contou das tuas vontades para o futuro. Fiquei sabendo que elas tinham começado a acontecer. Que bom...teus momentos foram felizes antes da sua partida....

Mas agora, quero apenas deixar aqui registrado que apesar do dia ter sido difícil, pensei muito em você, com ternura. Lembrei de tudo novamente. E dei alguns sorrisos, pois a gente se divertia muito. Meu querido, quanta falta você vai fazer. Porém, tua missão se findou e ela foi linda. Você é um ser dos mais iluminados que já conheci.


Por fim, tua despedida mexeu com a vida por aqui. E eu sei o quanto você valorizava a amizade, os amigos. Por isso, refleti nesse silêncio aqui dentro depois dessa notícia. Refleti que tem tantas coisas que nos parecem de primeira ordem, sempre mais importantes. Mas, daqui pra frente quero seguir tua lição de vida. Os amigos, a família, os afetos em primeiro lugar. Me perdoa mais uma vez pela ausência. E fica sempre no meu coração, viu!?

Vou sempre, por toda minha vida me lembrar do eco das nossas risadas, das tuas brincadeiras comigo e principalmente do tanto de carinho que tínhamos um pelo outro.

Com amor, sua amiga

Ana

28 de jan. de 2009


Chuvas



Há lugares onde chove muito. Dias e dias de chuva intensa ou, simplesmente, trombas d’água nos finais de tarde. Em outros, onde também chove muito, a chuva é diferente: mais suave. Ali habituamo-nos ao tilintar da água batendo na janela na escuridão da noite, como um inseto distante, insistente e tranqüilizador.Levantamo-nos no meio da noite, abrimos um pouco a cortina e ficamos espiando a lavagem dos pecados do mundo com uma xícara de chocolate quente nas mãos. Chuva com garganta quente e nenhuma ousadia nova, apenas o conforto da vida acomodada e as vontades rodeadas de um sono aposentado.



seção 100 palavras do www.glauperpiva.blogspot.com

27 de jan. de 2009

Obama, por José Saramago

A Martin Luther King mataram-no. Quarenta mil polícias velam em Washington para que hoje não suceda o mesmo a Barack Obama. Não sucederá, digo, como se na minha mão estivesse o poder de esconjurar as piores desgraças. Seria como matar duas vezes o mesmo sonho. Talvez todos sejamos crentes desta nova fé política que irrompeu em Estados Unidos como um tsunami benévolo que tudo vai levar adiante separando o trigo do joio e a palha do grão, talvez afinal continuemos a acreditar em milagres, em algo que venha de fora para salvar-nos no último instante, entre outras coisas, desse outro tsunami que está arrasando o mundo. Camus dizia que se alguém quisesse ser reconhecido bastar-lhe-ia dizer quem é. Não sou tão optimista, pois, em minha opinião, a maior dificuldade está precisamente na indagação de quem somos, nos modos e nos meios para o alcançar. Porém, fosse por simples casualidade, fosse de caso pensado, Obama, nos seus múltiplos discursos e entrevistas, disse tanto de si mesmo, com tanta convicção e aparente sinceridade, que a todos já nos parece conhecê-lo intimamente e desde sempre. O presidente dos Estados Unidos que hoje toma posse resolverá ou intentará resolver os tremendos problemas que o estão esperando, talvez acerte, talvez não, e algo nas suas insuficiências, que certamente terá, vamos ter de lhe perdoar, porque errar é próprio do homem como por experiência tivemos de aprender à nossa custa. O que não lhe perdoaríamos jamais é que viesse a negar, deturpar ou falsear uma só das palavras que tenha pronunciado ou escrito. Poderá não conseguir levar a paz ao Médio Oriente, por exemplo, mas não lhe permitiremos que cubra o fracasso, se tal se der, com um discurso enganoso. Sabemos tudo de discursos enganosos, senhor presidente, veja lá no que se mete.


Donde? por José Saramago

Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: “Eu também, eu também.” Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar.





do blog http://caderno.josesaramago.org/

19 de jan. de 2009

Desenredo


Por toda terra que passo
Me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
De vida feita ao avesso
O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego
Eu me enredo
Nas tranças do teu desejo
O mundo todo marcado
A ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo
O olhar que assusta
Anda morto
O olhar que avisa
Anda aceso
Mas quando eu chego
Eu me perco
Nas tramas do teu segredo
Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe
A cera da vela queimando
O homem fazendo o seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo
O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego
Eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo


Letra: Renato Braz
Composição: Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro

10 de jan. de 2009

Caminho

Quem é que disse que é desse jeito que se caminha?
A religião. A moral. O capital. O cordão umbilical.
Ninguém tem nada a ver com isso
Vá viver, então!
Quem é que disse que é desse jeito que se caminha?
O amor. A solidariedade. A missão. A loucura reinventada.
A paixão. A saúde. A alegria. A respiração. A alma.
Você tem tudo a ver com isso.
Fresta


Cruzou a fresta do tempo sem luvas nas mãos. Tateou pregos, gelatinas e borrachas. Evaporou-se em idéias de algodão. Ajoelhou-se e pôs-se a pensar nas cores da noite, nos cheiros do dia, nas dores do entardecer.Percebeu que os hematomas não são filhos das pancadas. São paridos por teimosia. Em cada roxo na alma, dezenas de arestas foram polidas com a língua. Milhares de esquinas foram deixadas à míngua. Pacotes de limas foram chupadas com sal.Com amargo na boca, derrubou seus medos nos pedregulhos da rua. Medo de não conseguir ser e medo de, sendo, esquecer-se do que foi.


Glauber Piva www.glauberpiva.blogspot.com